O TRABALHO DE CAMPO E O ENSINO DE QEOQRAEIA1 Davis Gruber Sansolo O trabalho de campo esteve presente como uma atividade de fundamental importân- cia para a Geografia desde os viajantes da Anti- güidade, passando pelos naturalistas e os organizadores da Geografia Moderna (DREYER- EIMBKE, 1992; MENDOZA et alii, 1982). Essa atividade vem percorrendo os cami- nhos da Geografia sem que a maioria dos auto- res busque um aprofundamento do debate teóri- co sobre as técnicas propriamente ditas e o mé- todo a que estão vinculadas. De forma geral este tema tem passado pela tangente nas discussões sobre a metodologia científica em geral. As téc- nicas propriamente ditas são abordadas sob as- pectos relativos aos procedimentos de execução. Raramente são analisadas sob os aspectos ideo- lógicos e, portanto, epistemológicos, dos proce- dimentos adotados. Dificilmente encontramos trabalhos que vinculem uma técnica específica ao objetivo so- cial do trabalho. Uma exceção é o material apre- sentado por OLIVEIRA (1985) em que são apre- sentados dois textos específicos sobre o traba- lho de campo: "Pesquisa e Trabalho de Campo" (LACOSTE, 1977) e "O Geógrafo e a Pesquisa de Campo" (KAISER, s/ d). Destacamos também o ensaio sobre a na- tureza do trabalho de campo em Geografia de SILVA ( 1982) no qual classifica três modalidades: trabalhos analíticos empíricos, trabalhos com enfoque lógico e a análise dialética epistemoló- gica e ontológica. Ao longo da história do pensamento geo- gráfico, encontramos nas correntes determinista e possibilista, como procedimentos metodológi- cos, um empirismo reflexivo ou analítico (MEN- DOZA et alii, 1982). O trabalho de campo foi o meio pelo qual construiu-se a base do conhecimento geográfi - co. E mesmo junto ao movimento de renovação da Geografia, ou seja, na Geografia Pragmática ou Sistêmica (TRICART, s/d) e na Geografia Críti- ca, não foram dispensadas as práticas de obser- vação de campo, apesar das técnicas cibernéti- cas, do sensoriamento remoto e outras técnicas disponíveis (SILVA, 1982). Contudo, uma reflexão contemporânea sobre a importância e o vínculo que essa ativida- de possui com as diversas concepções pedagó- gicas é extremamente escassa, e mais ainda quan- to ao ensino de Geografia e Educação Ambiental, tendo em vista que essa prática sempre é reva- lorizada, desde as primeiras séries até a terceiro grau. Apoiamo-nos em autores de diversas con - cepções sobre a importância do trabalho de cam- po, desde concepções associadas a uma prática de ensino descritiva, cujo vínculo está presente na Geografia Clássica e cuja contribuição, em nosso entender, está associada às descrições extremamente precisas das evidências das pai- sagens, até autores ligados ao movimento da Geografia Crítica, que através da análise das con- tradições sociais procuram estabelecer uma lei- tura dialética da aparência dos fenômenos expres- sos no espaço geográfico. Doutorando em Geografia Física pelo Departamento de Geografia-FFLCH/USP. Rua Gandovo, 514, apto. 42, Vila Clementino, São Paulo, SP, CEP 04023-001, e-mail: dsansolo@usp.br