Autor correspondente: Pedro José Rolim Neto. Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos - Departamento de Ciências Farmacêuticas - Universidade Federal de Pernambuco - Av. Prof. Arthur de Sá, S/N - Cidade Universitária CEP.50740-521 - Recife - PE - Brasil - tel / fax: (81) 3272-1383 - pedro.rolim@pq.cnpq.br Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada Journal of Basic and Applied Pharmaceutical Sciences Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2011;32(1):121-125 ISSN 1808-4532 Atividade Antimicrobiana de Extratos Etanólicos de Peperomia pellucida e Portulaca pilosa Mendes, L.P.M. 1 ; Maciel, K.M. 1 ; Vieira, A.B.R. 2 ; Mendonça, L.C.V. 1 ; Silva, R.M.F. 1 ; Rolim Neto, P.J. 3* ; Barbosa, W.L.R. 1 ; Vieira, J.M.S. 1 1 Faculdade de Farmácia. Instituto de Ciências da Saúde. Universidade Federal do Pará. Brasil. 2 Instituto de Ciências Biológicas. Universidade Federal do Pará. Brasil. 3 Departamento de Ciências Farmacêuticas. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco. Brasil. Recebido 11/05/2010 / Aceito 03/12/2010 RESUMO As plantas utilizadas na medicina tradicional estão sendo cada vez mais estudadas por serem possíveis fontes de substâncias com atividades antimicrobianas. Dentre elas, destacando-se a Peperomia pellucida (erva-de-jabuti) e a Portulaca pilosa (amor-crescido), utilizadas comumente na Amazônia. A P. pellucida é utilizada, popularmente, em casos de hemorragia, como curativo para feridas, dores abdominais, abscessos, acne, furúnculos, cólicas, problemas renais, hipertensão e colesterol, enquanto a P. pilosa é utilizada como hepato-protetor, antidiarreico, diurético, para queimaduras, erisipelas e ferimentos. Neste trabalho, foram realizadas a abordagem fitoquímica e a atividade antimicrobiana in vitro desses dois materiais vegetais. A prospecção fitoquímica revelou a presença de açúcares redutores, fenóis e taninos, esteroides e triterpenoides, glicosídios cardíacos e carotenoides no extrato etanólico seco (EES) de P. pillosa, e a presença de proteínas e aminoácidos, fenóis e taninos, flavonoides, esteroides e triterpenoides, azulenos, carotenoides, depsídios e depsidonas no EES de P. pellucida. Para avaliação da atividade antimicrobiana dos extratos etanólicos brutos, foi empregado o método de disco difusão em ágar, nas concentrações de 500; 250; 125 e 62,5 µg/mL. Os extratos testados que apresentaram atividade antimicrobiana na avaliação preliminar foram submetidos à determinação da concentração inibitória mínima (CIM) pela técnica de microdiluição em caldo. O extrato de P. pellucida possui atividade antimicrobiana frente a S. aureus e P. aeruginosa, e o de P. pilosa contra Pseudomonas aeruginosa. Palavras-chave: Atividade antimicrobiana. Peperomia pellucida. Portulaca pilosa. Erva-de-jabuti. Amor-crescido. INTRODUÇÃO O surgimento e a disseminação de micro-organismos resistentes aos antimicrobianos disponíveis no mercado têm sido relatados há décadas, incentivando a busca de novas fontes de substâncias com atividades antimicrobianas, como as plantas utilizadas na medicina tradicional. O conhecimento e a pesquisa dos benefícios das espécies vegetais foram realizados por várias civilizações em todos os continentes. Embora de modo empírico ou intuitivo, baseando-se em descobertas ao acaso, as sociedades antigas utilizavam as plantas para fins terapêuticos e, mais tarde, elas serviram de base para a Botânica, Química e Medicina. Observa-se, atualmente, uma tendência de retorno à fitoterapia, atitude recomendada pela OMS – Organização Mundial de Saúde. O referido órgão apoiou o estudo e o uso de plantas medicinais regionais como forma de baixar os custos dos programas de saúde púbica, principalmente nos países subdesenvolvidos ou ainda em desenvolvimento, como o Brasil (Martins, 1995). Os trabalhos de pesquisa através de espécies vegetais com propriedades terapêuticas originam medicamentos em menor tempo, de custo inferior e, consequentemente, mais acessíveis à população, que, em sua maioria, encontra- se sem quaisquer condições financeiras de arcar com os custos elevados da aquisição de medicamentos que possam ser utilizados como parte de atendimento das necessidades primárias de saúde (Furlam, 1998). No Brasil, encontram-se cerca de 20% das 250 mil espécies medicinais catalogadas pela United Nations Educational Scientific and Cultural Organization (UNESCO), facilitando o aproveitamento do potencial curativo dos vegetais para o tratamento de doenças no país (Drumond et al., 2004). O ecossistema amazônico, detentor de uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, apresenta inúmeras espécies vegetais com propriedades medicinais relatadas e outras em que seus efeitos terapêuticos são desconhecidos. Dentre as utilizadas popularmente na medicina popular, destacam-se a erva- de-jabuti (Peperomia pellucida (L.) H.B.K.), também conhecida como língua-de-sapo, e o amor-crescido (Portulaca pilosa L.) (Pimentel, 1994).