As mulheres na economia social No centro da ação, longe da decisão Alcides A. Monteiro* https://orcid.org/0000-0002-4546-383X Introdução Quantas mulheres lideram ou pertencem à direção de topo das organizações da Economia Social? A resposta é que são poucas, quando comparadas com o número de homens. Será necessário escrever mais um texto expondo essa desigualdade? Nosso entendimento é o de que sim, particularmente quando novos dados estatís- ticos denotam/denunciam que a situação não se está a alterar signifcativamente, mantendo-se uma “segregação vertical” que urge continuar a debater e a combater. “Segregação horizontal” e “segregação vertical” são as duas faces/expressões de uma realidade que persiste nas organizações atuais, do setor público e privado, “[…] e que explica por que é que as mulheres estão sub-representadas nas áreas mais estratégicas e lucrativas da gestão e dos negócios” (ilo, 2019a, p. 4). A segregação horizontal produz-se ao concentrar-se a participação das mulheres no setor dos serviços (ensi- no, saúde, ação social, comércio…) e a ser claramente minoritária na indústria e na construção. A segregação vertical produz-se através da menor presença de mulheres nos lugares de topo da estrutura profssional/laboral (cargos de direção e categorias profssionais mais bem remuneradas), assim como da estrutura orgânica (membros dos órgãos de administração e de outros órgãos sociais) (cf. Vidal, 2011). Tanto uma * Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal.