Minerva, 6(2): 117-125 PROJETO DE UM PROTÓTIPO SUSTENTÁVEL 117 PROJETO DE UM PROTÓTIPO SUSTENTÁVEL Lívia Ferraz Damasceno Arquitetura urbanista pela Unesp-Bauru, e-mail: iaia_ferraz@hotmail.com Rosane Aparecida Gomes Battistelle Docente do Departamento de Engenharia Civil e do Curso de Pós-graduação em Engenharia de Produção, Unesp-Bauru, e-mail: rosane@feb.unesp.br Maria Fernanda Nóbrega dos Santos Arquiteta urbanista, mestranda em Engenharia de Produção na área de Gestão Ambiental pela Unesp-Bauru. Bolsista do CNPq, e-mail: mfnsantos@yahoo.com.br Francisco Antonio Rocco Lahr Docente do Departamento de Engenharia de Estruturas e da Pós-graduação da Engenharia de Materiais, Interunidades, EESC-USP, São Carlos, e-mail: frocco@sc.usp.br Resumo A construção civil tem se destacado como área promissora em relação à busca da sustentabilidade, pois possibilita assimilar tanto tecnologias mais limpas quanto materiais mais sustentáveis. Desse modo, algumas empresas estão destinando atenção especial a essa possibilidade, como as cooperativas de reciclagem de resíduos plásticos, papel, borracha e alumínio, e arquitetos e engenheiros, com sua capacidade técnica, vêm aplicando materiais alternativos em seus projetos. As universidades também têm incentivado os conceitos de sustentabilidade junto à comunidade universitária. Assim, o objetivo deste trabalho é o desenvolvimento de um projeto para uma habitação ecológica, na qual é proposta a utilização de materiais e técnicas de construção sustentáveis, desenvolvidos pelos discentes e docentes dos cursos de Arquitetura, Engenharia de Produção, Engenharia Civil e Desenho Industrial da Unesp, Bauru. O resultado é apresentado na forma de pranchas arquitetônicas, com a descrição das técnicas construtivas empregadas. Palavras-chave: arquitetura sustentável, materiais de construção, chapas de partículas. Introdução Na atualidade, o aumento da população, aliado ao processo crescente de urbanização, tem evidenciado os problemas ambientais, como a crise energética, os padrões insustentáveis de consumo da sociedade e os impactos da geração e descarte dos resíduos sólidos. Paralelamente, observa- se que as questões ambientais são cada vez mais discutidas nos meios político, social e, principalmente, acadêmico. Os índices de poluição apresentam-se cada vez mais alarmantes nas cidades, tanto pelas contribuições atmosféricas da frota de carros, quanto pelo acúmulo de resíduos nas vias públicas, terrenos baldios, rios e fundo de vales, que não são enviados para o correto descarte final. Ou, mesmo, pela produção desenfreada de materiais sintéticos, como os produtos descartáveis, que ao final de sua vida útil são rejeitados na íntegra, contribuindo para o crescente aumento dos resíduos. Outro aspecto que colabora para esse panorama é a exploração dos recursos naturais (como o petróleo e a água potável) sem o devido planejamento, que também traz como consequência ambiental o incremento exponen- cial de resíduos industriais. Segundo John (2000), no modelo adotado por nosso processo de industrialização, os resíduos sempre são gerados na produção de bens de consumo, e ao final de sua vida útil apresentam-se em quantidades superiores aos produtos desenvolvidos. Em relação ao setor da construção civil, Gauzin- Müller (2002) comenta a margem muito significativa de participação desse empreendimento na degradação ambiental. De acordo com o pesquisador, a fase de construção e sua “vida útil” consomem mais de 50% dos recursos naturais extraídos e 40% de toda a energia produzida no planeta.