ARTIGO ORIGINAL einstein. 2008; 6(2):166-9 Efeito da cinesioterapia respiratória em pacientes submetidos à cirurgia abdominal alta The effect of respiratory kinesiotherapy in patients undergoing upper abdominal surgery Solange Ribeiro 1 , Ada Clarice Gastaldi 2 , Christiany Fernandes 3 RESUMO Objetivo: O objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos da fisioterapia respiratória (caminhada, tosse e cinesioterapia) sobre a função pulmonar dos pacientes em pós-operatório de cirurgia abdominal alta. Métodos: Foram avaliados clinicamente 30 pacientes (14 do sexo feminino e 16 do masculino), com idade média de 53 anos, por testes de função pulmonar, medidas de força da musculatura respiratória e saturação arterial de oxigênio. Aleatoriamente, os pacientes foram incluídos no Grupo A (caminhada e tosse) ou Grupo B (caminhada, tosse e cinesioterapia – exercícios respiratórios diafragmáticos, em tempos e inspiração sustentada). Resultados: Comparando-se aos valores de pré- operatório, o volume expiratório forçado de primeiro segundo diminuiu 24% no primeiro dia de pós-operatório no Grupo A e 31% no Grupo B, mantendo uma redução, no quinto dia de pós-operatório de 7 e 14% (não significativo); a capacidade vital forçada diminuiu 27 e 33%, no primeiro dia de pós-operatório, nos Grupos A e B, mantendo no quinto dia 12 (não significativo) e 20%; a pressão inspiratória máxima diminuiu 16% no primeiro dia de pós-operatório, nos Grupos A e B, mantendo, no quinto dia, uma diminuição de 4% (não significativo) em ambos; a pressão expiratória máxima diminuiu, no primeiro dia, 20 e 18% nos Grupos A e B e, no quinto dia 14 e 15%. Conclusão: A evolução do Grupo A foi semelhante ao Grupo B (este, porém, com maior risco de complicações) sugerindo que a inclusão da cinesioterapia foi benéfica. Descritores: Modalidades de fisioterapia; Cinesiologia aplicada/ métodos; Terapia por exercício/métodos; Tosse; Abdome/ cirurgia; Exercícios respiratórios; Período pós-operatório ABSTRACT Objective: The purpose of this study was to assess the effect of respiratory physiotherapy (walking, cough and kinesiotherapy) on lung function in patients during the postoperative period of upper abdominal surgery. Methods: A total of 30 patients (14 female and 16 male; mean age of 53 years) were evaluated clinically and by pulmonary function tests, measurements of respiratory muscle strength and arterial oxygen saturation. Patients were randomly included in Group A (walking and coughing) or Group B (walking, coughing and kinesiotherapy – diaphragmatic exercises during sustained and non-sustained inhaling). Results: Compared to preoperative values, the forced expiratory volume during the first second decreased 24% in Group A and 31% in Group B during the first postoperative day; a 7 and a 14% (non significant) decrease was maintained in the fifth postoperative day. The forced vital capacity decreased by 27% (Group A) and by 33% (Group B) in the first postoperative day; a 12% (non significant) decrease in Group A, and a 20% decrease in Group B was maintained in the fifth postoperative day. The maximum inspiratory pressure decreased 16% in the first postoperative day (Groups A and B); a 4% (non significant) drop was maintained in the fifth postoperative day (both groups). The maximum expiratory pressure decreased 20% (Group A) and 18% (Group B) in the first postoperative day; a 14% decrease (Group A) and 15% decrease (Group B) was maintained in the fifth postoperative day. Conclusion: The progression of Group A was similar to that of Group B (which had a higher risk of complications), suggesting that adding kinesiotherapy was beneficial. Keywords: Physical therapy modalities; Kinesiology, applied/methods; Exercise therapy/ methods; Cough; Abdomen/surgery; Breathing exercises; Postoperative period INTRODUÇÃO Tem sido evidenciado que a manipulação da cavidade abdominal durante a cirurgia abdominal alta leva à di- minuição dos volumes e capacidades pulmonares, tor- nando a respiração superficial e rápida, com ausência de suspiros (1) e com movimento abdominal paradoxal, que pode resultar em complicações pulmonares provo- cando alteração ventilação-perfusão ou shunt pulmo- nar, com conseqüente hipoxemia e atelectasia (2) . Essas alterações no sistema respiratório são máximas nas pri- meiras 48 horas após a cirurgia (3) . Uma provável explicação é a disfunção do diafrag- ma, com origem na manipulação das vísceras abdomi- nais, determinando a inibição reflexa do nervo frênico e conseqüente paresia diafragmática (4) . Trabalho realizado no Hospital São João de Deus – Fundação Geraldo Corrêa e Hospital e Maternidade Santa Mônica, Divinópolis (MG), Brasil. 1 Mestre em Fisioterapia, Professsora da Fundação Educacional de Divinópolis – Universidade Estadual de Minas Gerais – FUNEDI/UEMG, Divinópolis (MG), Brasil. 2 Doutora, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil. 3 Especializanda, Fundação Educacional de Divinópolis – Universidade Estadual de Minas Gerais – FUNEDI/UEMG, Divinópolis (MG), Brasil. Autor correspondente: Solange Ribeiro – Rua Mato Grosso, 1325/302 – Sidil – CEP 35500-027 – Divinópolis (MG), Brasil – Tel.: 37 3229-3558 – e-mail: solangerib@yahoo.com.br Data de submissão: 23/1/2008 – Data de aceite: 14/1/2008