Teografias 1 (2011) 209 - 220 LOLA GERALDES XAVIER Escola Superior de Educação de Coimbra 209 O entre-espaço religioso: sincretismo em Boaventura Cardoso LOLA GERALDES XAVIER Escola Superior de Educação de Coimbra Palavras-chave: sincretismo religioso, tradição, Maio, Mês de Maria, Mãe, Materno Mar. Keywords: religious syncretism, tradition, Maio, Mês de Maria, Mãe, Materno Mar. Esta é de loor de Santa Maria, com’é fremosa e bõa e á gram poder: Rosa das rosas e Fror das frores Dona das donas, Senhor das senhores. (Afonso X) Neste texto abordaremos o papel da religião em Maio, Mês de Maria e Mãe, Materno Mar, do escritor angolano Boaventura Cardoso. Podem criar-se inferências a partir dos títulos dos romances que nos conduzem para as influências cristãs. Porém, o espaço nar- rativo não é unívoco, mas antes propício a mesclas que nos permitem falar de sincretismo religioso nestes romances. Boaventura Cardoso nasceu em Luanda em 1944, mas passou parte da sua infância em Malange. É licenciado em Ciências Sociais, tendo exercido vários cargos diplomáticos e políticos, como o de Embaixador de Angola na Itália e o de Ministro da Cultura. Publicou poesia – Dizinga Dia Muenhu (1977), O Fogo da Fala (1980), A Morte do Velho Kipacaça (1987) – e prosa – O Signo do Fogo (1992), Maio, Mês de Maria (1997) e Mãe, Materno Mar (2001). Como o nosso objetivo é identificar as referências religiosas e a imagem de Deus (ou dos seus intermediários) na prosa de Boaventura Cardoso, não esquecendo as implicações numa sociedade que é ficcionada, mas que se baseia na Angola da pós-independência, esco- lhemos os romances Maio, Mês de Maria e Mãe, Materno Mar para aferirmos o relevo dado a esta temática, por este autor.