19 62/7$ 3$/$95$  r  De Nuno Higino ou sobre um poeta que “inventa versos ao jeito da manhã florescer” Sara Reis da Silva IE-Universidade do Minho sara_silva@ie.uminho.pt Sara Reis da Silva escreve de acordo com a antiga ortografia Oito anos após a edição de A Rainha do País dos )UXWRV &HQDWHFD  EHOD QDUUDWLYD サ TXDO regressamos frequentemente) que fala dos frutos para falar do Homens, como, em outro lugar 6LOYD  SURFXUシPRV GDU FRQWD 1XQR +LJLQR  Gシ サ HVWDPSD 9HUVRV 'LYHUVRV 7ULQWD SRU XPD /LQKD  Não é difícil reconhecer e reencontrarmo-nos, nos vinte e dois poemas que integram Versos Diversos, com alguns dos principais eixos estruturantes e dos motivos mais recorrentes que perpassam a generalidade da escrita do poeta também de O Menino que Namorava Paisagens (Campo das /HWUDV  RX 7RGRV RV &DYDORVf H PDLV 6HWH &HQDWHFD  6H R WネWXOR GD FROHFWスQHD SHUPLWH antever simultaneamente a variedade de textos poéticos e, muito especial, o carácter lúdico que os caracteriza(rá), uma leitura dos textos em questão confirma essa espécie de habilidade natural do poeta na exploração dos sentidos das palavras, jogando com elas, combinando-as de um modo muito pessoal e seleccionando-as criteriosamente. Aliás, este cuidado com as palavras não é apenas “daqui” e de esta obra que intentamos reler. Este cuidado de Nuno Higino parece ser, na verdade, uma forma de vida, substantivada numa persistente e paciente busca da palavra “certa”, como reflectem as seguintes palavras: «Procurei muitas vezes, sem desistir, porque há sempre uma vez em que encontramos a palavra que procuramos. Pode ser necessário esperar a vida inteira, mas ela aparecerá. Pelo menos eu acredito que assim é. Se não aparecer por força da memória, aparecerá como uma visão, um relâmpago, uma anunciação» (Higino, 2010: 93). Em Versos Diversos, esta procura e uso da palavra, um uso muito criativo, além de alicerçado em apelativos jogos fonéticos e rimáticos (como sucede em «O puzzle sem matriz»), assume, com frequência, a forma de jogo com as letras, como se constata no poema «As letras mal comportadas», texto composto por quatro quadras, nas quais, em certas palavras, se introduzem alguns grafemas “manuscritos”/caligráficos e coloridos, consubstanciando uma intenção lúdica assente também no trocadilho. De modo similar, na composição poética intitulada «A Magia das Letras», o recurso a um grafismo distinto para certas letras e algarismos, associado à personificação, acentua o carácter lúdico e humorístico, aspectos que, a par, por exemplo, do registo coloquial e da interpelação/desafio directa/o do potencial destinatário, são determinantes para a captação da atenção do leitor. A abertura deste mesmo poema – «Era uma vez XP VHQKRUf +LJLQR  s SHUPLWH D VXD inscrição no domínio daquilo que alguns estudiosos designam como «poesia narrativa» (Cervera, 1991). Com efeito, em certos textos, detectam-se marcas de narratividade, como a referida fórmula hipercodificada de abertura, o discurso directo e o tom dialógico (como no poema «Confusão de estrelas») ou a presença de figuras personificadas que interagem e participam de pequenas acções (como em «Uma estrela com sarampo»), entre outras. Do ponto de vista temático, destaca-se a infância como vector semântico nuclear de um elevado número de textos de Versos Diversos, tópico aparentemente já anunciado nas dedicatórias