Versão pré-publicação 3 O humanismo como técnica de governo na empresa, nas comunidades e na escola Arthur Arruda Leal Ferreira Flávio Vieira Curvello Gabriel Gouvêa Monteiro Olivia Maria Klem Dias humanismo no campo dos saberes e práticas psicológicos caracteriza-se como um movimento ocorrido especial, mas não exclusivamente, em cenário norte-americano, cujos primeiros esboços se deram nos anos de 1930 e que adquiriu maior expressividade a partir da década de 1960. Propondo uma compreensão do homem divergente das aventadas pelo behaviorismo e pela psicanálise, os primeiros psicólogos humanistas posicionaram-se em um veemente questiona- mento destas duas orientações da psicologia (predominantes então na psicologia estadunidense), acusando-as de postularem um determinismo, respectivamente, ambiental e psíquico em suas interpretações da condição do homem. Chamado, por conseguinte, de uma terceira força (face à reação às duas principais forças), o humanismo buscava valorizar a consciência como via de acesso ao homem, à experiência que este tem de si e do mundo. Aqui, o homem é tomado por um ser fundamentalmente livre e autônomo, impassível a determinações de ordem ambiental, social ou psicológica (BOAINAIN JR., 1994; BUYS, 2006). Nesse quadrante, o conceito central de tais psicologias é o de autorrealização ou auto-atualização, o qual descreve um movimento entendido como próprio da vida e norteador do desenvolvimento humano, subjacente à potência de ação e autodeterminação do indivíduo. Trata-se de uma tendência