335 UM MANUSCRITO ILUMINADO ALCOBACENSE TRECENTISTA: O “CADERNO DOS FORAIS” Saul António Gomes Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Um Manuscrito iluminado alcobacense trecentista: o “Caderno dos Forais” do Couto Resumo Neste estudo, o Autor apresenta um pequeno manuscrito iluminado, posto que com um propósito administrativo, o “Caderno dos Forais”, elaborado no scriptorium do Mosteiro de Alcobaça, em meados do século XIV, evidenciando as suas características histórico- paleográficas e diplomáticas. Abstract This paper analyzes a mid 14th-century illuminated manuscript, presented as serving administrative purposes, the “Caderno dos Forais”, made in the scriptorium of the Cis- tercian Monastery of Alcobaça. The study discusses its historical, palaeographic and diplomatic features. 1. A Abadia de Santa Maria de Alcobaça contou desde cedo, como paradigmático instituto cisterciense estabelecido em Portugal no recuado ano de 1152, com uma organização administrativa bem estruturada e eficaz. Os seus abades, administradores de um vasto domínio e detentores de vastos poderes senhoriais, souberam dotar o Mosteiro de estruturas institucionais eficazes que lhes permitiram explorar sustentadamente esse património, protegendo-o de interesses estranhos e cobiçosos e mantendo-o e transmitindo-o a sucessivas gerações de monges brancos 1 . 1 É já muito extensa a bibliografia pertinente a este tema. Vide os trabalhos mais recentes de Iria Gonçalves, O Património do Mosteiro de Alcobaça nos Séculos XIV e XV, Lisboa, Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1989; Pedro Gomes Barbosa, Povoamento e estrutura agrária da Estremadura Central. Séc. XII a 1325, Lisboa, Imprensa Nacional, 1992; Maria