Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011 1 A NUDEZ ENTRA EM CENA. FOTOGRAFIA, CINEMA E TELEVISÃO: UM BALAÇO VISUAL DO DESNUDAMENTO FEMININO BRASILEIRO NAS DÉCADAS DE 1960, 1970 E 1980 ERIC ALLEN BUENO* 1 I – Introdução Com a popularização da internet no início do século XXI, tem-se uma grande profusão e facilidade no acesso de imagens de mulheres nuas ou em poses sensuais. Esse não é um fenômeno recente se considerarmos que o nu feminino é um gênero na pintura existente desde, pelo menos, do renascimento. A grande novidade é a sua massificação e circularidade em nossa cultura visual do mundo ocidental, e em especial, nas mídias brasileiras. Fato muito recente quando pensamos que essa popularização de imagens se dá a partir da segunda metade do século XX. Esse artigo traça um painel geral desta História Visual da nudez e da sensualidade feminina. O tema da nudez e sensualidade é pouco estudado no campo da História, e quando o é, aparece de forma marginal, sob o enfoque das relações de gênero e da sexualidade. Embora estas sejam importantes “faces” do assunto, não explicam como estas visualidades se desenvolveram no mundo ocidental 2 . Para compreender como esse tema vem se desenvolvendo, parto do enfoque da cultura visual 3 , que diferente de uma abordagem semiótica sobre a fotografia e o cinema 4 , busca entender como um determinado tema é percebido visualmente. * 1 Mestrando em História do Tempo Presente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), bolsista CAPES. E-mail: erichistoria@gmail.com 2 Em geral, esses estudos se focam no sujeito, mas acredito que o assunto só pode ser bem compreendido quando analisado o entorno em relação aos sujeitos e sua constante interação social e cultural. 3 Também chamada de Estudos Visuais. 4 Como as propostas por: CARDOSO, Ciro Flamarion e MAUAD, Ana Maria. História e Imagem: os exemplos da fotografia e do cinema. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (orgs.) Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997, p.401- 417.