317 pós- resenhas • p. 317-319 Paisagens culturais da produção e do trabalho Resultante do segundo de uma série de seminários voltados à problemática do patrimônio agroindustrial, iniciada em 2008, o presente livro apresenta uma preciosa coleção de textos de renomados pesquisadores do tema, que, na esteira dos desafios sempre renovados sobre a preservação do patrimônio no século 21, dialoga diretamente com novas ferramentas, instrumentos e metodologias patrimoniais, como a categoria da Paisagem Cultural, proposta pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco em 1992. No âmbito brasileiro, a chancela da Paisagem Cultural foi criada bem mais tarde, em 2009, pela Portaria IPHAN nº 127, com a seguinte definição: “A paisagem cultural é o meio natural ao qual o ser humano imprimiu as marcas de suas ações e formas de expressão, resultando em uma soma de todos os testemunhos resultantes da interação do homem com a natureza e, reciprocamente, da natureza com o homem, passíveis de leituras específicas e temporais” (Art. 2º., Carta de Bagé, 2009). É evidente, portanto, a sintonia entre tal definição e os temas dos trabalhos aqui apresentados – um dos quais traz tal referência expressa em seu próprio título: o capítulo intitulado “Uma concentração de tempos: apreendendo a paisagem cultural do rio Paraíba Açucareiro”, de Juliano Loureiro de Carvalho, que, visando A valorização das relações entre o homem e meio ambiente, materializadas em assentamentos lentamente gestados sob as contingências específicas de cada ambiente natural, aborda a região tributária do Rio Paraíba em suas diversas temporalidades. De fato, é impossível não pensar imediatamente em paisagem cultural, diante de temas tão sugestivos, como “Cultura del agua y del vino em el desierto americano: el patrimonio cultural de los oasis vitivinícolas de Mendoza y Lugares de produção: arquitetura, paisagens e patrimônio CORREIA, Telma de Barros; BORTOLUCCI, Maria Angela P. C. S. (Orgs.). São Paulo: Annablume, 2013, 244 p. Maria Lucia Bressan Pinheiro