Memórias operárias do Estado Novo – A cultura política de mineiros e ferroviários de Minas Gerais e sua luta por direitos Andréa Casa Nova Maia* 1 Resumo: O artigo discute a história cotidiana de trabalhadores (mineiros e ferroviários) durante os anos Vargas, enfatizando sua luta por direitos e o imaginário em relação ao governante. Abstract: The paper discusses the quotidian history of workers (miners and train workers) during the Vargas’s years and focus on their fight for rights and their imaginary about the governor. Palavras-chave: Governo Vargas; História de Trabalhadores; História Oral. Introdução “Isso era a Morro Velho antes das leis trabalhistas de Getúlio Vargas. Até 34... era assim. Depois então, que organizados os sindicatos, as coisas mudaram, o trabalhador passou a ter direito. Mas, antes disso, era uma verdadeira escravidão.” Sr. Waldir dos Santos Parte-se, neste artigo, de uma abordagem que procura enfrentar a relação entre os operários e o governo Vargas durante o Estado Novo, partindo de três pesquisas realizadas anteriormente que utilizaram, sobretudo, a metodologia da História oral. Uma primeira pesquisa, cujo resultado foi minha dissertação de mestrado, defendida na UFMG no final dos anos 90, sobre a memória de mineiros de uma mina de ouro de propriedade de ingleses em Nova Lima, a Mina de Morro Velho. Uma segunda pesquisa que resultou em minha tese de doutoramento, defendida na UFF em 2002, sobre os ferroviários do Oeste de Minas Gerais, que trabalharam na Rede Mineira de Viação e uma terceira, realizada, ao longo de 2002, com os ferroviários da Central do Brasil em Pedro Leopoldo, que resultou no livro “Nos Trilhos do Tempo”, publicado em 2003. Em ambas as pesquisas, procuramos revelar qual o imaginário construído pelas duas categorias acerca da figura de Vargas, compartilhando da hipótese de FERREIRA (1997, p.16), para o qual: 1 *Andréa Casa Nova Maia é Professora Adjunto III da PUC-MG e Professora Visitante da UFJF.