Cadernos de Clio, Curitiba, n.º 4, 2013 231 “MAS, AFINAL, O QUE É LIBERDADE?”: O ESPETÁCULO LIBERDADE LIBERDADE (1965) E A RESISTÊNCIA CULTURAL AO REGIME MILITAR Mariana Rodrigues Rosell 1 RESUMO: O presente artigo é resultado de pesquisa de Iniciação Científica realizada pela autora com financiamento CNPq entre 2011 e 2012. Trabalha- mos a partir da tese de que a resistência civil ao regime militar brasileiro se deu em várias frentes e de diversas formas. Assim, baseamo-nos na hipótese de que há elementos na peça Liberdade Liberdade que permitem pensá-la na chave do frentismo cultural, forma pela qual o Partido Comunista optou na resistência ao regime militar. Identificamos alguns pontos na construção do texto e no conjunto da encenação que colaboram para pensar Liberdade Li- berdade como uma precursora da resistência cultural aliancista empreendida pelo PCB e por parte da ala liberal. Palavras-chave: Teatro Brasileiro; Regime Militar; Resistência Cultural; Grupo Opinião, Liberdade Liberdade; Em 1965 foi encenada a primeira montagem de Liberdade Liberdade, produzida pelos dois grupos teatrais brasileiros mais representativos à época, Opinião e Teatro de Arena de São Paulo. Nesse momento, o Brasil, já sob o regime militar, assistia a um paulatino cerceamento da liberdade. Ainda que somente em 1968 as artes fossem fortemente atingidas pela censura e o AI-5 trouxesse o fim das liberdades individuais, a discussão cujo tema principal era a liberdade já estava dada. Como se verá no decorrer deste texto, a peça em 1 Aluna de graduação em História (9º semestre – 5º ano) da Universidade de São Paulo (DH/FFLCH/USP). Orientanda do Prof. Dr. Marcos Napolitano. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8056929819718959.