A armadilha ao investimento produtivo no Brasil: uma análise dos custos de oportunidade dos ativos financeiros Fábio Henrique Bittes Terra Guilherme Jonas Costa da Silva 1 1. Introdução A ampliação do investimento é peça fundamental na estratégia de crescimento sustentado da economia brasileira em função do seu caráter dual, já que estimula a demanda efetiva e, simultaneamente, amplia a capacidade produtiva da economia. O investimento produtivo, em particular, confere maior dinâmica econômica por conta dos seus encadeamentos inter e intrassetoriais, além de estabelecer mais etapas produtivas em solo nacional, elemento fundamental para maiores agregação de valor e geração de emprego, renda e riqueza. Na década de 2000, a taxa de investimento brasileira situou-se em torno de 15% do PIB. Essa situação permaneceu até 2010, quando os investimentos alcançaram seu patamar recorde, 19,5%. Desde então, mesmo diante de diversas medidas e políticas de incentivo, dentre as quais se destacam o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e a redução histórica da taxa de juros básica da economia, a SELIC, houve retração da taxa de investimento no País. Assim, o investimento fechou 2012, em 18,1% do PIB, mesmo nível de 2009, ano em que a economia brasileira sofreu as maiores repercussões da crise econômica internacional. Decerto, há diversos fatores que afetam as expectativas empresariais e desestimulam o investimento produtivo, tais como a persistência da crise econômica internacional, o câmbio valorizado, a carência de infraestrutura, os menores custos de importação vis-à-vis de produção local, entre outros. Nesse particular, o objetivo deste artigo é ressaltar um fator em específico: o contínuo e elevado custo de oportunidade constituído pelos investimentos financeiros ao investimento produtivo no Brasil. As razões desta contínua atratividade dos ativos financeiros em relação aos produtivos encontram-se em o País (i) deter um sistema financeiro em que o mercado de títulos de dívida pública das políticas monetária e fiscal se fundiram no período de alta inflação e não foram corrigidos pós-Plano Real e (ii) praticar o regime monetário de Metas de Inflação que utiliza – quase que exclusivamente – títulos públicos como meio de o Banco Central efetivar sua política monetária. Assim sendo, os títulos públicos e os 1 Professores do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia. Membros da Associação Keynesiana Brasileira.