Resumo: O objetivo desse trabalho é analisar as operações de hedge no mercado futuro da BM&F para o estado de Goiás sob a ótica da base e do risco de base. Os dados são de janeiro de 2002 a dezembro de 2009. Observou-se que a base média geral segue no intervalo entre R$ -4 e R$ -6 durante todos os meses do ano. O risco de base varia em torno de R$ 2. Há um enfraquecimento da base no período da entressafra acompanhado de maior risco de base. O risco de base chega ao máximo de R$ 2,73 em novembro. Assim, há eliminação menor de risco com as operações de hedge no mercado futuro da BM&F na entressafra, período em que há maior oferta de animais de confinamento no estado de Goiás. Palavras-chave: hedge, boi gordo, Goiás Introdução Em 2008, havia no país, aproximadamente, 202 milhões de efetivo de bovinos, sendo Mato Grosso (12%), Minas Gerais (11%), Mato Grosso do Sul (11%) e Goiás (10%) os estados com maior concentração (BRASIL, 2010). Um processo muito comum na atividade pecuária é o processo de confinamento e semiconfinamento. No primeiro, os animais são limitados a um pequeno espaço onde recebem suplementação alimentar que permite ganho de peso maior se comparados aos animais de pasto. Por sua vez, considera-se semiconfinamento o processo misto de engorda em pasto e confinamento. O estado de Goiás é o estado brasileiro que possui o maior número de confinamentos do país, proporcionando uma dinâmica de preços que pode diferir dos outros estados. Efetivamente a atividade pecuária (confinamento ou não) envolve riscos, uma vez que, enquanto seus custos são conhecidos e quase sempre elevados, sua receita é incerta, dada a imprevisibilidade dos preços da arroba do boi gordo no futuro. O preço da arroba do boi pode sofrer variações de várias formas, como: (a) variações nos preços dos insumos; (b) variações no preço da carne de boi e de frango (bem substituto); (c) interrupção das importações de carne brasileira por um player importante, etc. (BM&F, 2005). Desse modo, o pecuarista pode se deparar com um preço incapaz de cobrir os custos operacionais. O risco da oscilação de preços pode ser minimizado no mercado futuro. Neste, o produtor pode fixar o preço de seu produto assim que definido o custo de produção por meio do hedge, que é um mecanismo de proteção de preço, no qual o produtor fixa na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) o preço de seu produto final (hedge de venda). Devido à importância do estado de Goiás na atividade pecuária nacional e o aumento da procura por parte dos pecuaristas por mecanismos de proteção de preços, este trabalho se justifica na relevância das informações geradas aos tomadores de decisão do agronegócio. Este trabalho se propõe a analisar as operações de hedge de boi gordo para o estado de Goiás no que tange aos conceitos de base e risco de base. HEDGE DE BOI GORDO NO MERCADO FUTURO DA BM&F PARA O ESTADO DE GOIÁS – BASE E RISCO DE BASE Rodrigo da Silva Souza 1 Cleyzer Adrian da Cunha 2 Alcido Elenor Wander 3 1 Economista, Mestrando em Agronegócios pela Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: rodrigosouza@cnpaf.embrapa.br 2 Economista, Doutor em Economia Aplicada, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: cleyze@yahoo.com.br 3 Engenheiro-agrônomo, Doutor em Economia Agrícola, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (CNPAF). E-mail: awander@cnpaf.embrapa.br 51