53 OSTEOSSÍNTESE DO FÉMUR NO CÃO. UTILIZAÇÃO DO PINO METÁLICO INTRAMEDULAR DE KUNTSCHER MEDIANTE TÉCNICA DE REDUÇÃO ABERTA § ANTONIO MATERA Professor Livre-Docente Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP PAULO SÉRGIO DE MORAES BARROS Professor Assistente Doutor Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP ANGELO JOÃO STOPIGLIA Professor Assistente Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP ROSANO ELIAS RANDI Auxiliar de Ensino Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP MATERA, A.; BARROS, P.S.M.; STOPIGLIA, A.J.; RANDI, R.F.. Osteossíntese do fêmur no cão. Utilização do pino metálico in- tramedular de Kuntscher mediante técnica de redução aberta. Rev.Fac.Med.vet.Zootec.Univ.S.Paulo, 19(1): 53-59, 1982. RESUMO: Foram estudados 9 animais da cspe'cie canina portadores de fratura do fêmur e tratados mediante osteossíntese com pino in- tramedular de Kuntscher. Adotou-se a técnica de redução aberta. A introdução do pino de secção transversal em forma de “V ” através a fossa trocantérica foi orientada pela colocação prévia de pino metáli- co cilíndrico. Observou-se formação de calo ósseo dentro dos perío dos normais de consolidação com recuperação de todos animais e sem ocorrência de alterações anatômicas ou funcionais e nem com plicações devido flexão do pino ou rotação da extremidade do mem bro operado. UNITERMOS: Osteossíntese; Pino intramedular; Fraturas*; Fêmur, cães* INTRODUÇÃO E LITERATURA As fraturas constituem farto e importante material nos trabalhos cirúrgicos dos ambulatórios de pequenos ani- mais. De acordo com MATERA e STOPIGLIA9, ocorrem em aproximadamente 40% da totalidade dos casos, dos quais, segundo GRONO^, 32% são de localização femoral. A alta incidência desse processo traumático é confirmada por LEONARD?, BRINKER3, WHITTICKlO e DeAN- GELIS4. Não obstante a existência de técnicas operatórias es- pecializadas, especialmente a osteossíntese com pino intra- medular, permitam resultados satisfatórios, em alguns casos não se observa coaptação e imobilização adequadas dos fragmentos e, dessa maneira, impedem recuperação perfeita da capacidade funcional do membro. Observamos na rotina cirúrgica que os animais de pe- so elevado, principalmente os portadores de fraturas oblí- quas em grande extensão no fêmur, apresentam frequente- mente desvio do eixo ósseo devido flexão do pino intrame- dular ou rotação da extremidade distai do membro, resul- tante da falta de firmeza ao nível do ponto fraturado. O pino intramedular de Kuntscher, de secção trans- versal em forma de “V”, largamente empregado desde 1940 em cirurgia ortopédica na espécie humana, foi utilizado em Medicina Veterinária por JLNNY6 que descreve sua intro- dução no canal medular após perfuração óssea de diâmetro variável com as dimensões dò pino, na fossa trocanteriana, com ou sem exposição do foco de abertura. LEONARD7, BRINKER3, WHITTICKlO e DeANGELIS4 citam a possi- bilidade de emprego do pino de Kuntscher, entretanto, não apresentam descrição de técnica operatória adequada ou de resultados obtidos. A literatura nacional revela apenas as referências fei- tas por MATERA e STOPIGLIA9 e BERNISl e o resultado satisfatório observado em um animal por BONAFÉ e cols2 que advertem sobre as dificuldades encontradas durante o ato cirúrgico, decorrentes da falta de material especializado nos dois casos operados. Diante do exposto, a apresentação dos resultados con- seguidos em animais da espécie canina portadores de fratura do fêmur, bem como, a descrição de técnica operatória mo- dificada de osteossíntese com pino intramedular metálico de Kuntscher justificam a apresentação deste trabalho e contribuem, a nosso ver, de maneira efetiva para o trata- mento desse processo traumático nos cães. § Apresentado no XVII Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, realizado em Fortaleza de 20 a 25 de outu- bro de 1980. MATERIAL E MÉTODO No presente trabalho foram estudados 9 animais da espécie canina, sexo masculino, portadores de fratura do fê- mur e encaminhados ao Departamento de Cirurgia e Obste- trícia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, os quais foram submetidos a tra-