Arch Health Invest (2020) 9(3):228-232 © 2020 - ISSN 2317-3009
http://dx.doi.org/10.21270/archi.v9i3.5112
Arch Health Invest 9(3) 2020
228
Artigo Original
Perfil epidemiológico das fraturas radiais distais em hospital de referência
em Ribeirão Preto, Brasil
Epidemiological profile of distal radial fractures in a reference hospital in Ribeirão Preto, Brazil
Perfil epidemiológico de fracturas radiales distales en un hospital de referencia en Ribeirão Preto, Brasil
Felipe Azevedo Mendes de OLIVEIRA
1
Thiago Agostini Pereira ALBENY
2
Luis Guilherme Rosifini Alves REZENDE
3
Filipe Jun SHIMAOKA
3
Amanda Favaro CAGNOLATI
3
Aléx Eduardo Calderón IRUSTA
3
Luiz Garcia MANDARANO-FILHO
3
Nilton MAZZER
4
1
Cirurgião de Mão, formado no programa de Cirurgia da Mão, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
(HC-FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
2
Cirurgião de Mão no Hospital Sírio Libanês (Brasília), formado no programa de Cirurgia da Mão, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (HC-FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
3
Médico Assistente do Programa de Cirurgia da Mão, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, (HC-FMRP-USP),
Ribeirão Preto, SP, Brasil
4
Professor Titular e Chefe da Divisão de Cirurgia da Mão, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
(HC-FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
Resumo
Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico das fraturas do rádio distal em hospitais de referência em Ribeirão Preto(SP), Brasil. Não existem
dados suficientes na literatura nacional que corroborem com o perfil epidemiológico das fraturas do rádio distal. Métodos: 245 pacientes
apresentaram 254 fraturas do rádio distal, ocorridas entre 2014 a 2017 foram avaliadas retrospectivamente para obtenção do perfil
epidemiológico. Os fatores analisados foram idade e sexo, mecanismo do trauma, sazonalidade, tipo de fratura baseada na Classificação AO,
presença de exposição óssea, lesões associadas, tipo de tratamento realizado (conservador ou cirúrgico) e o tipo de implante utilizado nos
tratamentos cirúrgicos. Resultados: 60,2% dos pacientes participantes eram do sexo masculino e 39,8% do sexo feminino, distribuídos de
forma bimodal. A média de idade foi 45,4 anos. Fraturas expostas corresponderam a 92,1% das fraturas e 7,9% representaram as expostas.
Pacientes politraumatizados representaram 62,6%. O tempo médio de internação foi 8,09 dias. Conclusão: Apesar do padrão de fraturas
mostrar semelhanças com outros estudos, o padrão apresentado pode não traduzir, de forma homogênea, o padrão obtido em outras
metrópoles e grandes centros.
Descritores: Fraturas do Rádio; Traumatismos do Punho; Epidemiologia; Hospitais Especializados.
Abstract
Aim of Study: To evaluate the epidemiological profile of distal radius fractures in a reference hospital in Ribeirão Preto (SP), Brazil. There
are not enough data in the national literature to corroborate the epidemiological profile of distal radius fractures. Methods: 245 patients had
254 fractures of the distal radius, which occurred between 2014 and 2017, were retrospectively evaluated to obtain the epidemiological
profile. The factors analyzed were age and sex, trauma mechanism, seasonality, type of fracture based on the AO Classification, presence of
bone exposure, associated injuries, type of treatment performed (conservative or surgical) and the type of implant used in surgical treatments.
Results: 60.2% of the participating patients were male and 39.8% female, distributed in a bimodal manner. The average age was 45.4 years.
Open fractures corresponded to 92.1% of fractures and 7.9% represented exposed ones. Polytrauma patients accounted for 62.6%. The
average hospital stay was 8.09 days. Conclusion: Although the fracture pattern shows similarities with other studies, the pattern presented
may not translate, in a homogeneous way, the pattern obtained in other metropolises and large centers.
Descriptors: Radius Fractures; Wrist Injuries; Epidemiology; Hospitals, Special.
Resumen
Objetivo: Evaluar el perfil epidemiológico de las fracturas de radio distal en hospitales de referencia de Ribeirão Preto (SP), Brasil. No
existen datos suficientes en la literatura nacional para corroborar el perfil epidemiológico de las fracturas de radio distal. Métodos: 245
pacientes que presentaban 254 fracturas de radio distal, ocurridas entre 2014 y 2017, fueron evaluadas retrospectivamente para obtener el
perfil epidemiológico. Los factores analizados fueron edad y sexo, mecanismo de traumatismo, estacionalidad, tipo de fractura según la
Clasificación AO, presencia de exposición ósea, lesiones asociadas, tipo de tratamiento realizado (conservador o quirúrgico) y tipo de
implante utilizado en los tratamientos quirúrgicos. Resultados: El 60,2% de los pacientes participantes fueron varones y el 39,8% mujeres,
distribuidos de forma bimodal. La edad media fue de 45,4 años. Las fracturas abiertas correspondieron al 92,1% de las fracturas y el 7,9%
representaron las expuestas. Los pacientes politraumatizados representaron el 62,6%. La estancia hospitalaria media fue de 8,09 días.
Conclusión: Aunque el patrón de fractura muestra similitudes con otros estudios, el patrón presentado puede no traducir, de manera
homogénea, el patrón obtenido en otras metrópolis y grandes centros.
Descriptores: Fracturas del Radio; Traumatismo de la Muñeca; Epidemiología; Hospitales Especializados.
INTRODUÇÃO
A fratura da extremidade distal do rádio é
uma lesão frequente. Nos Estados Unidos, o número
de casos ultrapassou 640 mil por ano e representou
16% a 20% de todos os atendimentos de urgência,
expressando 26% a 46% do total das fraturas
1,2
. Elas
também representaram 17,5% do total de fraturas em
adultos em Edimburgo
3
. Correspondem a 44% das
fraturas na Suécia, sendo 2,5% do total dos
atendimentos de urgência
4
.
Sabe-se que a distribuição relativa à idade e
sexo tem característica bimodal, cujo predomínio de
fraturas de alta energia em adultos jovens do sexo
masculino é influenciado pela prática de atividades
esportivas, queda de mais de 1m de altura, acidente
de veículos automotores ou bicicleta
6
. Fraturas de
baixa energia resultam principalmente da queda de
própria altura com a mão espalmada em idosas
4,5,9,11
.
Predomina no inverno em países escandinavos,
através de quedas em jovens do sexo masculino
durante esportes de inverno ou pelo escorregamento
de idosas em pisos cobertos por neve
5-11
. Autores
orientais relataram uma maior incidência dessas
fraturas no verão devido à alta ocorrência de
tufões
2,12-14
.