Abram Alas pro Rei: Redescobrindo a negritude em Djonga 1 Solange SANTOS 2 Mestranda Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, MG Resumo O presente artigo busca estabelecer relações entre a musicalidade do rapper Djonga e o pensamento de Frantz Fanon sobre os impactos da branquitude sobre corpos negros. Objetiva-se discutir como a branquitude é problematizada pelo rapper de forma a construir novos patamares para a consagração daquilo que se entende como um verdadeiro amor a negritude e da própria aceitabilidade de se reconhecer como um sujeito negro. Para sua realização optou-se pelo recorte teórico no videoclipe de “Hat-Trick” composição do álbum Ladrão de 2019. Palavras-chave: Djonga; Negritude; Branquitude; Rap; Cultura Midiática. Introdução: Abram alas pro rei, ô! Djonga é considerado um dos nomes mais influentes do rap nacional 3 , nascido na favela do Índio em Belo Horizonte. O jovem descortina o cenário musical com fortes críticas ao sistema político, social e a vivência das parcelas marginalizadas desde o fim da escravidão. Através do Sarau Vira-lata teve seu primeiro contato com a vontade de rimar. Os encontros do coletivo de poesia ocorriam em 2012, embalados por críticas ao prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda do PSB, e à situação do pobre marginalizado. A virada narrativa de Djonga ocorre em 2015 quando, a convite de Hot Apocalypse, passa a integrar o grupo DV Tribo, formado por Clara Lima, Gustavo Oreia, Fabricio FBC, CoyoteBeatz e Hot. A partir desta união, lança seu primeiro EP intitulado Fechando o Corpo, que teve parte de seus versos retirados de poemas compostos para o sarau (DORNELAS, 2017). O reconhecimento midiático ocorreu através da participação de músicas com artistas já consagrados, como o rapper baiano Baco Exu do Blues. Sua produção conta atualmente com um EP - Fechando o Corpo (2015) e cinco álbuns de estúdio - Heresia (2017), O Menino que queria ser Deus (2018), Ladrão (2019), 3 . Conforme reportagem da revista Trip, “A lealdade de Djonga”, de junho de 2019. Disponível em <https://revistatrip.uol.com.br/trip/djonga-um-dos-nomes-mais-influentes-do-rap-fala-sobre-suas-raizes-racismo-cazuza-e- astrologia>, acesso em: 27 de novembro de 2019. 2 Mestranda. Pelo programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFOP. Bolsista CAPES. E-mail: solstefane@gmail.com 1 Trabalho apresentado no GT História da Mídia Alternativa, integrante do XIII Encontro Nacional de História da Mídia. 1