1 ALTERAÇÕES NA CLASSIFICAÇÃO DE FORMICIDAE E O IMPACTO NA COMUNICAÇÃO ENTRE MIRMECÓLOGOS RODRIGO MACHADO FEITOSA 1 1 Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, Av. Nazaré, 481, Ipiranga, CEP 04263-000, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: rfeitosa@usp.br INTRODUÇÃO Quaisquer comparações entre seres vivos são assuntos da "Biologia Comparada", um equivalente da própria Sistemática (Nelson, 1970). O contraponto à Biologia Comparada é a "Biologia Geral", que trata de processos biológicos; as duas juntas formando as Ciências Biológicas. A Sistemática seria, portanto, o ramo das Ciências Biológicas que estuda a diversidade dos seres vivos e os organiza em sistemas classificatórios. Atualmente, o paradigma da área é que estes sistemas sejam concordantes com a evolução dos grupos biológicos, de tal forma que uma classificação seja a forma mais rápida de acesso a uma fonte de dados imensa sobre a morfologia, fisiologia, biologia, biomoléculas, comportamento, ecologia, etc. Ou seja, virtualmente qualquer sistema de caracteres que permita comparação entre diferentes organismos é uma ferramenta potencial para a Sistemática. Desta feita, a Sistemática pode ser considerada como uma Metaciência, subjacente a todas as outras áreas das Ciências Biológicas (Marques & Lamas, 2006). Só se pode conservar o que se conhece e, por isso, o primeiro estágio para conservar a biodiversidade é descrevê-la, mapeá-la e medi-la (Margules & Pressey, 2000). Para tal, o trabalho do sistemata é essencial. Mais que isso, como política para evitar a crise de biodiversidade atual, possivelmente a maior já encontrada na história da Terra, a comunidade de sistematas deve ter uma visão comum, avaliar criticamente suas necessidades, estipular uma agenda de pesquisa ambiciosa, se apropriar de novas tecnologias e inequivocamente deixar claras suas aspirações (Wheeler et al., 2004). Neste aspecto, a Mirmecologia pode ser considerada uma área privilegiada da Zoologia, pois trata de grupos inseridos em uma categoria taxonômica relativamente pouco abrangente, a família Formicidae, ainda que aí esteja incluída uma biodiversidade considerável, isto é, riqueza relativamente baixa e alta diversidade. Ainda, existe na Mirmecologia um número significativo de pesquisadores em atividade no mundo em comparação com outras áreas que lidam com categorias taxonômicas semelhantes. Tais fatores contribuíram significativamente para o conhecimento hoje acumulado acerca do grupo. A primeira proposta filogenética para a classificação de formigas foi apresentada por Brown (1954) que, apesar de apresentar alguns caracteres de grande utilidade nos estudos subseqüentes, não demonstrou de forma inequívoca a monofilia de Formicidae. Baroni Urbani desenvolveu em 1989 uma análise filogenética utilizando caracteres