DALVA MARIA DA MOTA* HERIBERT SCHMITZ** JOSUÉ FRANCISCO DA SILVA JUNIOR*** CONFLITO E CONSENSO PELO ACESSO AOS RECURSOS NATURAIS NO EXTRATIVISMO DA MANGABA 1 Nosso objetivo neste artigo é analisar os proces- sos de disputa pelo acesso aos recursos (terra, plantas e serviços) entre os atores relacionados ao extrativismo da mangaba em Sergipe. A par- tir de uma experiência de pesquisa e interven- ção, diferentes situações foram tomadas como objeto de observação no período 2003-2010. Entrevistas abertas e histórias de vida foram realizadas com atores-chave. As principais conclusões mostram que a mobilização das catadoras, apoiada por agentes externos, in- fluenciou na construção da visibilidade social das mesmas e na intensificação dos conflitos com proprietários de terra e outros. O motivo central dos conflitos é a apropriação dos frutos e o corte das plantas. Neste processo, foi evi- denciado o antagonismo entre dois projetos: 1. os que defendem a coexistência do extrativismo com outros modos de acesso aos recursos, valo- rizando o papel das catadoras na conservação dos recursos in situ; e 2. os que defendem a do- mesticação das plantas em áreas privadas com crédito e assistência técnica para diferentes tipos de produtores com terra (catadoras e demais), em detrimento do extrativismo. Palavras-chave: catadoras de mangaba; con- servação in situ; alianças; disputas. 1 Pesquisa realizada com recursos CNPq/Embrapa. * Doutora em Sociologia; pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental; Belém- -PA, Bolsista de produtivida- de do CNPq. dalva@cpatu. embrapa.br ** Doutor em Ciências Agrárias, professor de Sociologia, Uni- versidade Federal do Pará (UFPA), Belém-PA; Bolsista de Produtividade do CNPq. heri@amazon.com.br *** Mestre em Fruticultura Tropical; pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costei- ros, Aracaju-SE. josue@uep. cnps.embrapa.br