A literatura brasileira no exterior Joelma Santana Siqueira (Universidade Federal de Viçosa). Vivaldo Andrade dos Santos (Georgetown University). Pode-se dizer, em certo sentido, que a literatura brasileira se origina antes do Brasil e, por isso, alguns historiadores optam por chamar o momento inicial de “Literatura do Período Colonial” ou “Literatura Luso-brasileira”, constituída por textos produzidos por escritores que se encontravam na colônia, como o Padre José de Anchieta, nascido nas Ilhas Canárias, autor, entre outros textos, d’ O Auto de São Lourenço, escrito em tupi, espanhol e português. Pertence a esse contexto o escritor Manuel Botelho de Oliveira, primeiro autor nascido na colônia a ter um livro publicado. Sua primeira obra se intitula Mal amigo e sua obra principal, Música do Parnaso¸ foi escrita em português, castelhano, italiano e latim, publicada em 1705, em Lisboa. Insere-se também nesse período da literatura luso-brasileira o poeta Tomás Antônio Gonzaga, nascido no Porto, Portugal, autor da obra Marília de Dirceu, publicada em 1792, em Lisboa, enquanto o autor encontrava-se exilado na África por causa de sua participação na Inconfidência Mineira. A obra foi impressa no Brasil em 1810, dois anos depois da chegada da imprensa ao país, em 1808, com a vinda da família real para a colônia. Pouco tempo após a independência política ocorrida em 1822, um grupo de escritores publicou, em Paris, no ano de 1836, a Revista Niterói, que, junto com a obra Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, também publicada em Paris no ano de 1836, foi responsável por lançar as bases do Romantismo Brasileiro. Décadas depois, a Revista Novo Mundo foi lançada em Nova York, em 1870, e, semelhantemente à Revista Niterói, divulgou as bases de um novo momento da literatura brasileira, nesse caso, o Gláuks: Revista de Letras e Artes –jul/dez 2020 –Vol. 20, Nº 2 10