Informações Ecônomicas, SP, v.37, n.3, mar. 2007. ESTUDO DA VIABILIDADE ECONÔMICA DO USO DE PROBIÓTICO NA ALIMENTAÇÃO DA RÃ-TOURO, Rana catesbeiana 1 Danielle de Carla Dias 2 Fernanda de Paiva Badiz Furlaneto 3 Luiz Marques da Silva Ayroza 4 Fernanda Menezes França 5 Cláudia Maris Ferreira 6 Marta Verardino De Stéfani 7 1 - INTRODUÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 A criação de rãs no Brasil é uma alter- nativa de empreendimento agroindustrial, parti- cularmente para produtores com pouca disponi- bilidade física, por ser rentável em pequenas áreas. De acordo com Ferreira; Pimenta; Paiva Neto (2002), um ranário para ser economica- mente viável deve ter, em média, 500 a 700m² de área construída e ter uma produção mínima de 200kg de carne por mês. A rã-touro (Rana catesbeiana), principal espécie criada em cati- veiro, é originária dos Estados Unidos e Cana- dá. Foi introduzida no Brasil em 1935, adaptou- se rapidamente às condições climáticas apre- sentando alta eficiência na conversão alimentar e elevado potencial reprodutivo. As principais modificações ocorridas na ranicultura, com relação à alimentação (LIMA e AGOSTINHO, 1984) e instalações (LIMA e AGOS- TINHO, 1988) aconteceram a partir da década de 1980. O alto custo de produção decorrente, 1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora. Registrado no CCTC, IE-97/2006. 2 Bióloga, Mestre, Bolsista CAPES do Centro de Aqüicultura da UNESP-CAUNESP (e-mail: daniellebio2004@yahoo.com.br). 3 Médica Veterinária, Pesquisadora Científica do Pólo Regional Desenvolvimento Tecnológico Agronegócios Mé- dio Paranapanema. 4 Zootecnista, Pesquisador Científico do Pólo Regional Desenvolvimento Tecnológico Agronegócios Médio Para- napanema. 5 Zootecnista, Instituto de Pesca. 6 Bióloga, Doutora, Pesquisadora Científica do Instituto de Pesca. 7 Zootecnista, Doutora, Departamento de Zootecnia (FCAV- UNESP). principalmente, do preço da ração tem levado os pesquisadores a realizar estudos na área de nu- trição, tais como: determinação do valor nutritivo dos alimentos (CASTRO et al., 1998; BRAGA et al., 1998 e 2001; SECCO; STÉFANI; VIDOTTI, 2005); uso de ingredientes alternativos em substi- tuição à farinha de peixe (SECCO; STÉFANI; VIDOTTI, 2002) que é a principal fonte de proteína de origem animal das rações; viabilidade da su- plementação das rações com vitaminas (STÉFA- NI; MARCANTONIO; MARTINS, 2001) e utilização de carboidratos em alta concentração (STÉFANI, 1996). Segundo Schrezenmeir e De Vrese (2001), probióticos são preparações ou produtos que contêm microrganismos viáveis definidos e em quantidade adequada que alteram, por coloni- zação, a microbiota própria do intestino do hos- pedeiro, produzindo efeitos benéficos em sua saúde. Os probióticos, em sua maioria, são pro- dutos preparados com Lactobaccillus acidophil- lus, Streptococcus faecium, Bacillus subtilis e em alguns casos leveduras (GUZMÁN, 1992). De acordo com Planas e Cunha (1999), a ação benéfica do uso de probióticos ocorre de duas formas: uma determinando melhores índices zootécnicos com maior produtividade, aumento no ganho de peso e melhor conversão alimentar; outra reduzindo a colonização intestinal por alguns patógenos, como, por exemplo, as salmonelas. O uso de probióticos na aqüicultura é um tema muito recente, mas tem-se observado resultados promissores, principalmente no cultivo de larvas de peixes e moluscos. Nos trabalhos desenvolvidos por Gil; Roque; Turnbull (2000) e Flores; Briones; Novoa (2002), os probióticos apresentaram resultados interessantes em expe- rimentos realizados com animais aquáticos.