Tema 1 - Patologias Construções em terra - Principais anomalias e mecanismos de degradação - Vítor SOUSA 1,a , Inês MEIRELES 2,b , Nuno ALMEIDA 3,c e Jorge de BRITO 3,d 1 Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, Rua Américo da Silva Marinho, 2839-001 Lavradio, Portugal 2 Departamento Engenharia Civil, Universidade de Aveiro, Campo Universitário de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal 3 Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura, Instituto Superior Técnico, Avenida Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa, Portugal a vitor.sousa@estbarreiro.ips.pt, b imeireles@ua.pt, c nalmeida@civil.ist.utl.pt, d jb@civil.ist.utl.pt Palavras-chave: anomalias; construções em terra; mecanismos de degradação; sustentabilidade Resumo. A utilização de terra na construção é uma tecnologia ancestral que remonta aos primórdios das civilizações. Desde então tem sido utilizada um pouco por todo o mundo, com maior incidência nas regiões temperadas, constituindo o material de construção base de parte significativa das habitações nessas regiões. Presentemente, devido às crescentes preocupações com o desenvolvimento sustentável, assiste-se ao renovado interesse na terra como material de construção nos países desenvolvidos como uma forma de aumentar a proporção de materiais biodegradáveis e recicláveis nas construções. Neste contexto, é crucial compreender os mecanismos de degradação das construções em terra de forma a permitir adoptar medidas para a sua mitigação e preservação das construções existentes. Nesta comunicação são apresentados os principais mecanismos de degradação de construções em terra, com principal destaque para a acção da água da chuva. São ainda referidas sumariamente as principais anomalias que podem ocorrer em construções deste tipo. Introdução A tecnologia de construção em terra é uma das mais antigas utilizadas pelo Homem. A sua ancestralidade prende-se essencialmente com a disponibilidade de material, o reduzido nível tecnológico exigido e a facilidade de aplicação. Segundo Heathcote [9], a mais antiga construção em adobe de que há registo situava-se na Mesopotâmia e remonta ao ano 10 000 A.C.. Também existem vestígios da sua utilização desde há 12 000 anos na cidade mais antiga do mundo (Jericó) e a própria Grande Muralha da China, que data do 3º século antes de Cristo, foi construída com terra compactada e rochas. Na Alemanha e França, é possível encontrar diversos edifícios em terra com pelo menos 400 anos, mas possivelmente os edifícios mais antigos ainda em serviço encontram-se no povoado de Taos, no Novo México, com cerca de 900 anos [1] [20] [43]. A utilização de terra como material de construção encontra-se disseminada um pouco por todas as regiões secas e temperadas do globo, com predominância para o hemisfério Sul. Além disso, as construções em terra são caracterizadas por apresentarem um leque significativo de variações de índole cultural, regional e temporal, constituindo assim um importante património da Humanidade que urge proteger e reabilitar, como se constata pelos seguintes dados [1] [41]: • cerca de 10% dos sítios que figuram na lista do Património Mundial da UNESCO são exemplares de arquitectura em terra; • 16 dos 100 locais patentes na World Monuments Watch 2000 List of 100 Most Endangered Sites são em terra; • 57% dos locais identificados na World Heritage List in Danger dizem respeito a zonas de