Filol. Linguíst. Port., São Paulo, v. 16, n. spe, p. 95-123, dez. 2014 http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v16ispep95-123 ISSN 1517-4530 Clíticos e negação em português: elementos para uma descrição gramatical Pronoun clitics and sentential negation in Portuguese: some elements for grammar description Cristiane Namiuti * Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil Carlos Mioto ** Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil Resumo: No presente artigo, discorremos sobre a negação sentencial e sua relação com os clíticos pronominais em língua portuguesa. Para tan- to, revisitamos algumas questões sobre a sintaxe histórica do português com o intuito de mostrar que, nessa língua, o operador de negação – não – possui natureza diversa dos outros advérbios, mesmo dos negativos, pois, diferentemente dos demais itens adverbiais, nada, a não ser um pronome clítico, aparece interrompendo a adjacência entre o operador de negação – não – e o verbo . Tal característica do operador de negação sentencial, em português, é bastante antiga, remonta ao português antigo e perdura nas variantes atuais do português na Europa e na América. Entre outros fatos, a capacidade de licenciar elipse na oração coordenada e a relação da ne- gação sentencial com os clíticos pronominais e com indefnidos negativos compõem alguns dos argumentos para defender uma hipótese em favor da estrutura em que um núcleo funcional com conteúdos polares (nega- ção e afrmação) domina as categorias fexionais do verbo. Para explicar as diferenças sintáticas percebidas na relação entre a negação e o clítico * Professora do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários e do Programa de Pós-Gra- duação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Vitória da Con- quista, Bahia, Brasil; cristianenamiuti@gamil.com. ** Professor Visitante da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS e Professor do Depar- tamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil; miotocarlos@gmail.com.