A UTILIZAÇÃO DO “RIVER HABITAT SURVEY” NA GESTÃO AMBIENTAL DE ECOSSISTEMAS FLUVIAIS. POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES. Daniel OLIVEIRA 1 ; Alexandre FERNANDES 2 ; Joana RAPAZOTE 2 ; Luís TEIXEIRA 2 ; Rui BRIOSO 2 ; Cláudia VALENTE 2 ; Fernanda TEIXEIRA 2 ; Maria MEDEIROS 2 e Rui CORTES 3 1 Eng.º Florestal, Investigador Assistente, Centro de Estudos em Gestão de Ecossistemas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5000-911 Vila Real, Portugal danielg@utad.pt 2 Finalistas da Licenciatura em Eng.ª Ambiental e dos Recursos Naturais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 3 Professor Catedrático, Departamento Florestal, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Dpto. Florestal 5000-911 Vila Real, Portugal, rcortes@utad.pt RESUMO: É notoriamente difícil analisar o grau de perturbação antropogénica de sistemas fluviais devido à complexidade que lhes é inerente. Todavia, muitas das prioridades da gestão ambiental exigem formas de amostragem que permitam a caracterização dos locais de amostragem e a monitorização das diferenças encontradas, especialmente quando o objectivo é requalificação de cursos de água. Se adicionarmos a isto a crescente necessidade de estabelecer critérios eficazes de avaliação ambiental em ecossistemas fluviais de acordo com as especificações da Directiva-Quadro da Água, é patente a importância de encontrar métodos eficazes de avaliação do meio físico. O “River Habitat Survey” (RHS), desenvolvido pela Environmental Agency (Reino Unido), oferece um método semi-objectivo para avaliação da qualidade dos habitats fluviais. Contudo, esta metodologia foi desenvolvida e testada em cenários diferentes daqueles que normalmente caracterizam os ecossistemas fluviais portugueses. Neste contexto, o RHS foi aplicado em dois segmentos fluviais, do Norte de Portugal (o rio Corgo em Vila Real e rio Tâmega em Chaves), sujeitos a pressões antropogénicas distintas. A aplicação do RHS teve em conta a necessidade de caracterizar as áreas de intervenção do ponto de vista ambiental com o intuito de aquilatar o impacte das perturbações exercidas ao longo dos troços em estudo, de modo a introduzir medidas correctoras tendentes a requalificar habitats degradados e a incrementar a biodiversidade local. O estudo revelou que o RHS é uma metodologia viável com inúmeras potencialidades ao nível da caracterização e avaliação ambiental dos ecossistemas fluviais, tendo, no entanto, apresentado algumas limitações dado ser afectado pela variabilidade natural dos ecossistemas estudados. Palavras-chave: galerias ribeirinhas, avaliação ecológica, River Habitat Survey, habitats fluviais, Directiva-Quadro da Água.