REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE SAÚDE E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DAS DOENÇAS ENTRE AS MULHERES DOS PESCADORES DO MUNICÍPIO DE PORTO RICO, PARANÁ 1 Luciana Olga Bercini * Eduardo Augusto Tomanik ** RESUMO O objetivo deste trabalho é compreender as representações sociais sobre saúde e as estratégias de enfrentamento das doenças entre as mulheres dos pescadores de Porto Rico, PR. Utilizou-se como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais. Em setembro de 2000, foram realizadas 30 entrevistas, que foram gravadas, transcritas e submetidas à análise temática, a qual revelou que a saúde é entendida de forma multidimensional, incluindo as dimensões física, psíquica, espiritual, social e ecológica. Frente às doenças, as participantes percorrem circuitos de atendimentos paralelos, a medicina popular e a oficial, dependendo da gravidade da doença e de qual membro da família está acometido. A medicina popular é mais empregada em crianças; já para os adultos a medicina oficial é empregada preferencialmente, mas somente quando os problemas de saúde começam a interferir no trabalho. O conhecimento dos fatores inter-relacionados envolvidos no processo saúde-doença e também das estratégias de enfrentamento das doenças talvez permita compreender o pouco sucesso de algumas políticas de saúde em determinados casos e circunstâncias. Assim sendo, qualquer ação de tratamento, de prevenção ou de planejamento deve levar em conta os valores, as atitudes e as crenças dos grupos a quem se destina à ação. Palavras-chave: Rrepresentações sociais. Saúde. Doença. INTRODUÇÃO O município de Porto Rico está localizado na região noroeste do estado do Paraná, às margens do rio Paraná e possui 2547 habitantes (PARANACIDADE, 2001). Esse rio é um dos mais importantes do Brasil, com mais da metade de sua extensão original subtraída pelos vários represamentos existentes na bacia, e o estudo de sua área alagável merece destaque, não só nos aspectos físicos e biológicos, mas também na perspectiva do ser humano que vive nesse ambiente. Barbosa Filho (1990) postula que há uma preocupação crescente com os problemas ecológicos e que não são poucos os movimentos e organizações que têm lutado em defesa da preservação das espécies e no combate à poluição ambiental. O autor sugere a necessidade de se dar um tratamento mais consistente aos problemas de saúde ligados às questões ecológicas e criar um pensamento que compatibilize desenvolvimento com preservação ambiental. Em Porto Rico, PR, a maior ocorrência de ocupações informais de baixa remuneração gera problemas sociais, como habitações inadequadas e alto índice de analfabetismo, além de um elevado número de adultos e jovens em situação de dependência de bebidas alcoólicas e acomodação e apatia da população frente a ações de mobilização ou engajamento em atividades coletivas/comunitárias. Pesquisas executadas na região (TOMANIK, 1997; PAIOLA, 2000) apontam que a existência de barragens, tanto acima quanto abaixo da região estudada, somada ao acentuado desmatamento das margens e também das ilhas (para pecuária) têm alterado as condições ambientais de forma geral, inclusive o ciclo hidrológico, o que se reflete na redução dos estoques pesqueiros. Isto tem 1 Extraído da Tese de Doutorado “Sem saída a gente não é nada – representações de...” apresentado ao Programa de Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais da UEM. * Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem, Universidade Estadual de Maringá (UEM). Doutora em Ciências Ambientais, lobercini@uem.br ** Bacharel em Psicologia. Doutor em Psicologia Social. Professor do Departamento de Psicologia da UEM. Ciência, Cuidado e Saúde Maringá, v. 5, Supl., p. 71-76. 2006