Análise Psicológica (2016), 3 (XXXIV): 325-337 doi: 10.14417/ap.982 Inteligência espiritual: Validação preliminar da versão portuguesa da Escala de Inteligência Espiritual Integrada (EIEI) Diana Filipa Oliveira Jorge * / Graça Esgalhado * / Henrique Pereira * * Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior Amram e Dryer (2008) propõem o construto de Inteligência Espiritual [IE] e defendem a inclusão da mesma na Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. Os autores apontam 5 dimensões para a IEs: “Consciência”, “Transcendência”, “Graça”, “Verdade” e “Significado” que compõem a Integrated Spiritual Inteligence Scale [ISIS]. A presente investigação visa apresentar os dados preliminares de validação de um novo instrumento para avaliação do conceito de inteligência espiritual, na população portuguesa. Participaram no estudo 714 sujeitos, 257 do sexo masculino e 461 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 14 e os 81 anos. A aplicação dos instrumentos realizou-se online e além da utilização da Escala de Inteligência Espiritual Integrada usámos um questionário sociodemográfico com o intuito de caracterizar a amostra. A escala apresenta uma estrutura penta fatorial (“Coping religioso e espiritual”, “Consciência”, “Graça”, “Significado” e “Missão”). No estudo da consistência interna obtêm-se valores de alpha de Cronbach situados entre os 0.67 e 0.88, e de 0.92 para a escala total. Nesta versão preliminar as dimensões obtidas não foram congruentes com a escala original. Apesar de serem necessários estudos posteriores que se debrucem sobre a validade convergente e discriminante, e uma confirmação da estabilidade da estrutura fatorial obtida em nova amostra, este trabalho constitui um contributo relevante para a análise crítica deste novo constructo, assim como se assume como ponto de partida para outras pesquisas na área da Inteligência Espiritual. Palavras-chave: Inteligência espiritual, Espiritualidade, Escala de Inteligência Espiritual Integrada. A conceptualização de Inteligência Espiritual [IEs] surgiu apenas no ano 2000 através de Zohar e Marshall, no livro “Spiritual Intelligence” (Hosseini, Elias, Krauss, & Aishah, 2010). Zohar e Marshall (2004) adotam uma postura distinta relativamente a outros investigadores da área, ao postularem três tipos de inteligências primárias – intelectual, emocional e espiritual – que combinadas entre si originam os outros tipos de inteligências propostas na Teoria das Múltiplas Inteligências de Gardner. Os autores pioneiros na proposta do conceito de IEs associam estes 3 tipos de inteligências primárias respetivamente a cada um dos 3 tipos de processamento neural – em série, associativo e unificador – e destacam que a IEs é responsável pela conciliação harmoniosa entre QI [Quociente intelectual] e QE [Quociente Emocional]. Para estes autores a IEs é uma “inteligência fundamental” responsável: (1) pela capacidade para lidar e resolver problemas de sentido e de valor; (2) enquadrar num contexto amplo e transcendente a vida e as ações; e (3) criar e mudar regras e alterar situações e conferir um sentido de moral (DeBlasio, 2011; Zohar & Marshall, 2004). Outros investigadores também se têm debruçado sobre o constructo de IEs, e verifica-se uma ausência de consenso com a perspetiva defendida por Zohar e Marshall. Emmons (2000) enquadra 325 Diana Filipa Oliveira Jorge, Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior, Rua Marquês D’Ávila e Bolama, 6201-001 Covilhã, Portugal. E-mail: dianafoj@hotmail.com