AVALIAÇÃO DA PERIGOSIDADE DE INCÊNDIO FLORESTAL ATRAVÉS DE FUNÇÕES GLOBAIS DE ANÁLISE ESPACIAL Nuno Neves 1,2 , Nuno Guiomar 1,3 , Marco Freire 1,2 , João Paulo Fernandes 1,3 , Lénia Duarte 1 1 Universidade de Évora, Colégio Luís Verney, Rua Romão Ramalho, Évora 2 e-GEO Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional, Avenida de Berna, 26-C, Lisboa 3 ICAAM Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Universidade de Évora, Núcleo da Mitra, Évora Contacto: nneves@uevora.pt RESUMO A avaliação da perigosidade de incêndio florestal é fundamental para efeitos de tomada de decisão no planeamento de estratégias de prevenção permitindo a definição espacial de áreas onde a gestão de combustível é prioritária, bem como para efeitos de delineamento de estratégias de combate a incêndios florestais. Esta comunicação descreve um modelo de avaliação de perigosidade de incêndio florestal, assente no desenvolvimento de uma nova abordagem baseada em processos de modelação geográfica. Existem duas abordagens basilares para a avaliação da perigosidade de incêndio florestal: a análise estrutural, que incide em variáveis relativamente estáveis no tempo como a topografia e a ocupação do solo, e a análise dinâmica, que recai essencialmente sobre o comportamento das variáveis meteorológicas. Dentro destas podem encontrar-se modelos que dão mais relevância ao histórico das ocorrências, e outros que não têm este aspecto em consideração, centrando a análise na susceptibilidade do sistema biofísico ao fogo. Grande parte dos modelos utilizados permitem a obtenção de bons resultados quando utilizados para análise macro ou meso-escalares. Todavia, estes modelos não traduzem, a escalas locais, o potencial de propagação nas áreas avaliadas, uma vez que não integram uma dimensão funcional de avaliação de contexto, nem a integração global do espaço de relações considerado, facto que se procurou ultrapassar no contexto da modelação desenvolvida, e que seguidamente se apresenta. Considerando que se trata de um fenómeno de marcada complexidade que exige um profundo conhecimento acerca das relações entre as diferentes variáveis, este estudo integra o desenvolvimento de processos de aquisição e formalização de conhecimento espacial. No modelo de avaliação concebido considera-se que todo o território constitui um potencial ponto de ignição, não sendo os seus elementos ou componentes avaliados de forma independente, numa dimensão local ou focal como é feito tradicionalmente, mas tendo em conta uma modelação de contexto utilizando transformações de funções globais de acumulação difusa, definidos em função dos processos de análise espacial exploratória e aquisição e formalização de conhecimento. Serão apresentados e discutidos os resultados da aplicação do modelo na replicação de situações reais, bem como será efectuada uma comparação entre os resultados obtidos e os gerados pelos modelos mais correntemente utilizados. Palavras-chave: Perigosidade de incêndio florestal, modelação geográfica, análise exploratória de dados espacias, funções globais de análise espacial 1. INTRODUÇÃO Perigo é a propriedade, condição ou situação de um sistema que possa causar danos, definido como uma situação física com potencial para gerar danos no homem, bens ou no ambiente, ou uma combinação destes (Pires, 2005). A perigosidade de incêndio florestal (PIF) deve reflectir a dificuldade de controlo de um incêndio florestal, sendo comummente determinada pelas características de comportamento potencial do fogo, assim como por medidas da sua severidade (Brown et al., 2003; Fernandes, 2006). Segundo Verde (2008) a cartografia de PIF resulta do produto da probabilidade pela susceptibilidade, que expressa as condições que esse território apresenta para a ocorrência potencial de um fenómeno danoso.