1 Qualit@s Revista Eletrônica ISSN 1677 4280 Vol.12. No 2 (2011) Comprometimento Organizacional no Ensino Superior: Estudo Comparativo em Instituições Públicas e Particulares Carlos Otávio Zamberlan Paulo Sergio Ceretta RESUMO O presente artigo aborda o Comprometimento Organizacional, objetivando analisá-lo no contexto das Instituições de Ensino Superior de Santa Maria, RS, observando os gestores dos cursos de graduação e buscando uma comparação entre a instituição pública e a privada. Para esta avaliação utilizou-se um modelo já concretizado e aceito na literatura científica que apresenta como base três subconstrutos: comprometimento calculativo, comprometimento afetivo e comprometimento normativo. A coleta de dados foi realizada através de questionário estruturado com perguntas fechadas em escala de Likert com seis pontos. Na análise dos dados aplicou-se estatística descritiva e não-paramétrica. Constatou-se um nível elevado de comprometimento organizacional entre os gestores, tanto da IES pública como das particulares. E ainda verificou-se um elevado comprometimento afetivo e normativo em todas as IES. Sendo que a maior parte das diferenças ocorreu no subconstruto comprometimento calculativo, com relação à estabilidade, maior nas IES públicas, e à amizade entre os profissionais nas IES privadas. PALAVRAS-CHAVES: Comprometimento Organizacional; Instituições de Ensino Superior; Cultura 1. As Instituições de Ensino Superior e sua missão A educação e o conhecimento sempre foram considerados pelas classes dominantes uma ferramenta de dominação. Na Idade Média a cultura e o conhecimento eram guardados nos mosteiros relegados a poucos defensores da hegemonia da Igreja Católica. No fim da Idade Média e no Renascimento, destaca Schuch Jr. (1998), a educação buscava permitir a classe burguesa usufruir dos privilégios privativos do clero e da nobreza, já que o título universitário elevava o burguês quase ao nível do nobre. O autor ainda comenta que, ao fim da Idade Moderna as escolas continuavam atendendo, principalmente, às necessidades das elites. Hoje, numa sociedade do conhecimento, não se vêem grandes diferenças: acesso a informações e a conhecimento são privilégios de poucos, apesar do que fazem crer os defensores do sistema global, que se acredita irreversível. É nesse contexto que as universidades estão operando, mas para haver uma real transformação social, como está sendo colocado por autores como Drucker(1993), Angeloni(2002) e Kumar(1997), é imperativo que elas tomem consciência do seu papel frente à atual realidade social, econômica e política, uma realidade bem demonstrada por Santos (2003). Para que isso ocorra, se faz necessária a avaliação dessas instituições para melhor geri-las e auxiliar no processo de criação de conhecimento para toda a nação, não para uma elite privilegiada como vem acontecendo. Para Belloni (2000), as universidades estão empreendendo esforços para qualificação do corpo docente em função da sua crescente preocupação com a atualização de seu projeto institucional e a revisão de seu papel frente à sociedade. Esse período de transformação social traz novas exigências em relação à sua missão social e seu relacionamento com o Estado. Segundo o mesmo autor, as universidades, a partir da década de 80, começaram a elaborar