53 R. Museu Arq. Etn., 24: 53-75, 2014 53 Tecnologia cerâmica Guarani e o estudo experimental da variabilidade cerâmica Hiuri Marcel di Baco (*) Neide Barrocá Faccio (**) Di BACO, H.M.; FACCIO, N.B. Tecnologia cerâmica Guarani e o estudo experimental da variabilidade cerâmica. R. Museu Arq. Etn., 24: 53-75. Resumo: Este artigo apresenta alguns resultados da pesquisa realizada com Arqueologia Experimental sobre a tecnologia cerâmica Guarani, da área da Bacia Hidrográfica Inferior do Projeto Paranapanema (ProjPar), especificamen- te, com o acabamento plástico de superfície externa. Os testes experimentais permitiram avaliar algumas das capacidades cognitivas que envolvem o trabalho do(a) ceramista, bem como demonstrar aspectos da técnica de confecção da cerâmica relacionados com as escolhas dos indivíduos. Palavras-chave: Arqueologia Experimental; cerâmica Guarani; Paranapane- ma Inferior Paulista, variabilidade cerâmica. Introdução O s dados apresentados neste artigo fazem parte da minha dissertação de mestrado, intitulada “Arqueologia Guarani e Experimental: o estudo dos sítios arqueológi- cos Lagoa Seca, Pernilongo, Aguinha e Ragil II”, desenvolvida no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, Brasil, entre 2009 e 2012. O material arqueológico é proveniente do monitoramento e de pesquisas realizadas pela arqueóloga Neide Barrocá Faccio e sua equipe, desde a década de 1980, na área do Baixo Paranapanema (fig. 1). O Projeto Paranapanema tem como princí- pio o desenvolvimento da arqueologia regional em toda a extensão do Rio Paranapanema. Teve início com a arqueóloga Luciana Pallestrini, em 1968, durante as escavações do sítio Fonseca, localizado no município de Itapeva, SP. Esse trabalho evidenciou muitos vestígios de grupos agricultores pré-coloniais, como fragmentos cerâmicos, estruturas funerárias e marcas de antigas habitações datados em 1000 AD. Atual- mente, a coordenação geral Projeto Paranapane- ma é do arqueólogo José Luiz de Morais. No Brasil, as teorias do desenvolvimento agrícola estão respaldadas em argumentos sobre a movimentação em grande escala territorial de populações amazônicas, chamadas diásporas, que ocorreram no período de 2500 a 1500 anos (*) Doutorando em Arqueologia, Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo. Laboratório de Ar- queologia Guarani. <hiuridibaco@gmail.com> (**) UNESP, Campus de Presidente Prudente, Laboratório de Arqueologia Guarani. <nfaccio@terra.com.br>