Resenha A modernidade e o ocaso do social Carlos A. Gadea* TOURAINE, Alain. Un nuevo paradigma para comprender el mundo de hoy. Buenos Aires: Paidós, 2006. A lguns anos atrás, Jean Baudrillard permitiu-me tomar contato, pela primeira vez, com um excitante diagnóstico acerca do suposto “ocaso do social”. Em um trabalho intitulado Cultura y si- mulacro, Baudrillard perguntava-se, por exemplo, se as sociedades modernas respondiam a um progressivo processo de socialização ou dessocialização, admitindo que aquelas instituições que balizavam os “progressos do social” (urbanização, trabalho, produção, esco- larização etc.) pareciam agora produzir e destruir o social de forma simultânea. A expansão dos meios de comunicação e a informação não teriam conseguido mais do que neutralizar as relações sociais, atomizando o social em sentido profundo. Posteriormente, nas brilhantes reflexões de Zygmunt Bauman, foi possível encontrar os mesmos sintomas que definiriam nossa com- plexa contemporaneidade. Seu trabalho Modernidade líquida faz-nos deparar com uma modernidade em que as instituições e seus valores constitutivos parecem “derreter-se”, perdendo sua rigidez e solidez características, para assumirem um inovador estado de fluidez e fle- xibilidade. A “modernidade líquida” de Bauman é aquela em que as lealdades a crenças e grupos de pertença esfumam-se no contexto das transformações socioculturais e dos novos dilemas da globalização. Se alguém pretendesse achar possíveis semelhanças entre o pensamento de Baudrillard e as reflexões de Bauman acerca do destino do projeto histórico da modernidade, compreenderia que sua tarefa não é demasiadamente complicada. Mas, quais seriam os * Carlos A. Gadea é Doutor em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Editor da Revista Ciências Sociais Unisinos. Endereço eletrônico: cgadea@unisinos.br.