Dossiê Ações coletivas na América Latina: sobre olhares e paradoxos na politicidade emergente [Comentários ao artigo de Fernando Calderón] Carlos A. Gadea* 1. N a Conferência de Abertura do 1° Seminário Internacional e 3° Seminário Nacional “Movimentos Sociais, Participação e Democracia” (de 11 a 13 de agosto de 2010), organizado pelo Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina, o conhecido pesquisador boliviano Fernando Calderón apresentou o tema “Los nuevos movimientos socio-culturales y la politicidad emergente en América Latina” 1 , destacando as características da atual “qualidade da democracia” na região no seu nexo com as mobiliza- ções sociais ligadas a temas como o ambientalismo, o feminismo e as relações étnicas. A tese que se percebia com maior clareza circulava em torno à idéia de que a atual “qualidade da democracia” na região se relaciona com os atuais “movimentos sócio-culturais”. Evidentemente que o tema resultou de grande interesse para os assistentes, mas foram as primeiras palavras introdutórias de dita conferência as que chamaram mais a atenção. É que para Calderón re- sultava importante demarcar e descrever o “lugar do seu olhar” a partir do qual começaria a sua apresentação e, assim, poder esclarecer ao público esse “local de enunciação” (tal qual a tradição pós-estruturalista menciona) do seu discurso como um intelectual e analista da realidade política e cultural da América Latina nos últimos quarenta anos. * Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Pesquisador do CNPq. Endereço eletrônico: cgadea@unisinos.br. 1 Ver Calderón (2009). doi:10.5007/2175-7984.2011v10n18p97