Sociedade, Contabilidade e Gestão, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, mai/ago, 2020 DOI: https://doi.org/10.21446/scg_ufrj.v0i0.24531 Submetido em Abril e aceito em Agosto de2019 por Odilanei Santos após o processo de Double Blind Review Este trabalho foi anteriormente apresentado no evento Uma versão deste trabalho foi publicado nos anais do XII Congresso Anpcont, realizado em João Pessoa/PB, entre 9 e 12 de Junho de 2018. CONSERVADORISMO E MENSURAÇÃO DAS PROPRIEDADES PARA INVESTIMENTO NO SETOR DE EXPLORAÇÃO DE IMÓVEIS CONSERVATISM AND MEASUREMENT OF INVESTMENT PROPERTIES IN THE REAL ESTATE SECTOR Fabiano Ferreira Batista Doutor em Ciências Contábeis Universidade Federal da Paraíba Professor Adjunto II Universidade Federal de Campina Grande Rodovia Governador Antônio Mariz, BR 230 Km 466,5 Jardim Santana, CEP: 58805-290, Sousa/PB. e-mail: fabianoferreirabatista@yahoo.com.br Edilson Paulo Doutor em Ciências Contábeis Universidade de São Paulo Professor Associado II Universidade Federal do Rio Grande do Sul Avenida João Pessoa, 52 - sala 44, Centro Histórico, CEP: 90040000 - Porto Alegre, RS Brasil e-mail: edilson.paulo@ufrgs.br RESUMO Considerando a escolha contábil presente na IAS 40/CPC 28, no que diz respeito ao modelo de mensuração das Propriedades para Investimento (Custo Histórico ou Valor Justo), e a exclusão do conservadorismo do rol das características qualitativas, dado que a mesma seria incompatível com a neutralidade, o presente trabalho objetiva analisar se as empresas brasileiras do setor de Exploração de Imóveis apresentam números contábeis conservadores e se há diferença conforme modelo de mensuração escolhido. O setor foi escolhido dada a alta representatividade das Propriedades para Investimento em suas empresas e cujo reconhecimento podem ser afetados por práticas conservadoras. Nesse sentido, analisou-se as informações trimestrais no período entre o primeiro trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2019, por meio dos modelos de conservadorismo e oportunidade de Basu (1997) e de Ball e Shivakumar (2005). Os resultados indicaram que as empresas do setor de Exploração de Imóveis não apresentaram indícios de conservadorismo e que não há diferença entre esse comportamento que possa ser atribuída à escolha contábil quanto ao modelo de mensuração das PPIs. Cabe ressaltar que, quando se utiliza o modelo do valor justo, majoritariamente a mensuração ocorre por meio de inputs não observáveis (nível 3 da hierarquia do valor justo), para a qual se atribui menor confiabilidade, o que poderia incentivar o gestor apresentar um relato mais conservador, visando atenuar possíveis descontos decorrentes por parte dos investidores. Assim, esta pesquisa apresenta evidências adicionais aos estudos anteriores, no sentido de que o valor justo é incompatível com a hipótese do conservadorismo o que, como consequência, pode resultar em redução da discricionariedade gerencial no reconhecimento assimétrico de perdas e que a mudança do custo histórico para o valor justo pode ser útil para as partes contratantes, pois é capaz de reduzir a vantagem informacional dos gestores e, consequentemente, aumentar a qualidade e a confiabilidade das demonstrações financeiras, isso porque o conservadorismo excessivo, prejudica diretamente a representação fidedigna dos números contábeis.