r e v a s s o c m e d b r a s . 2 0 1 3; 5 9(3) :209–212
Revista da
ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA
www.ramb.org.br
Ponto de vista
Assinatura digital de laudos médicos: um assunto ainda
não resolvido
Digital signature of medical reports: an issue still not resolved
Aldo von Wangenheim
a
, Ricardo Felipe Custódio
b
, Jean Everson Martina
b
,
Isabela de Back Giuliano
c
e Rafael Andrade
d,*
a
Instituto Nacional para Convergência Digital (INCoD) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil
b
Laboratório de Seguranc ¸a em Computac ¸ão (LabSec), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil
c
Programa de Pós-graduac ¸ão em Saúde Coletiva, UFSC, Florianópolis, SC, Brasil
d
Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Florianópolis, SC, Brasil
informações sobre o artigo
Histórico do artigo:
Recebido em 3 de dezembro de 2012
Aceito em 20 de dezembro de 2012
On-line em 13 de maio de 2013
Nenhuma área da prática médica está sendo tão afetada pela
introduc ¸ão do telediagnóstico em massa como a cardiologia.
1
Em 2011, no estado de Santa Catarina (SC), o Sistema
Integrado de Telemedicina e Telessaúde de Santa Catarina
(STT/SC),
2
iniciativa responsável junto ao Governo do Estado
pela realizac ¸ão de atividades de telediagnóstico para o Sistema
Único de Saúde (SUS) de SC, foi responsável pela realizac ¸ão de
105.025 exames de tele-eletrocardiografia, o que, de acordo
com o SIA/SUS, representou 29% do total de exames eletrocar-
diográficos realizados pelo SUS no estado de SC neste período.
Em muitos municípios do interior de SC a prática de ac ¸ões de
telediagnóstico cardiológico permitiu elevar a oferta de exa-
mes de eletrocardiografia em mais de 300%, o que com certeza
provocará alterac ¸ões no perfil de morbidade dessa populac ¸ ão,
que serão perceptíveis em cinco ou 10 anos.
3
A prática da tele-
cardiologia veio para ficar; estudos de satisfac ¸ão realizados em
Trabalho realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Secretaria de Saúde de Santa Catarina e Bry
Tecnologia, Florianópolis, SC, Brasil.
∗
Autor para correspondência: Instituto Nacional para Convergência Digital, Depto. de Informática, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, SC, 88040-900, Brasil.
E-mail: andrade@telemedicina.ufsc.br (R. Andrade).
SC demonstram que a aceitac ¸ão e a utilizac ¸ão desse método
sugere que o seu uso só tenderá a aumentar.
4
No entanto, ainda há questões em aberto quanto à emis-
são eletrônica de laudos à distância, principalmente no que
diz respeito às promessas dos benefícios da certificac ¸ão digi-
tal em documentos eletrônicos, que devem ser impressos
com o rigor da autenticac ¸ão e integridade, conferindo-os à
sensac ¸ão da eficácia jurídica.
5
A certificac ¸ão digital é a única
tecnologia capaz de substituir com seguranc ¸a documentos
em papel assinados pelos médicos por documentos eletrô-
nicos equivalentes. Documentos eletrônicos são mais fáceis
de circular, copiar e armazenar; podem, além disso, conter
informac ¸ões mais detalhadas, tais como imagens de alta pre-
cisão e dados em formatos que preservam suas características
dinâmicas, como uma filmagem ou angiografia.
6
No entanto,
não tem sido simples substituir os documentos em meio físico
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http://dx.doi.org/10.1016/j.ramb.2012.12.009