Tratamento de ameloblastoma 1) Mestre pelo Curso de Pós-graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis – HOSPHEL, São Paulo/SP, Brasil. 2) Mestre pelo Curso de Pós-graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis – HOSPHEL, São Paulo/SP, Brasil. Chefe do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Erasto Gaertner, Curitiba/PR, Brasil. 3) Doutor em Medicina pelo Curso de Pós-graduação em Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Medicina de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil. Docente do Curso de Pós- graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis – HOSPHEL, São Paulo/SP, Brasil. Instituição: Hospital Erasto Gaertner, Curitiba/PR, Brasil. Correspondência: Av. Cândido de Abreu, 469, sala 703 – 80530-000 Curitiba/PR, Brasil. E-mail: karimajaber@terra.com.br Recebido em: 15/08/2008; aceito para publicação em: 30/12/2008; publicado online em: 10/05/2009. Conflito de interesse: nenhum. Fonte de fomento: nenhuma. A rtigo de Revisão Treatment of ameloblastoma RESUMO ABSTRACT 1 Karima Yustra Jaber 2 Laurindo Moacir Sassi 3 Sérgio Altino Franzi O ameloblastoma é um tumor odontogênico da maxila e da mandíbula, sendo indolor; é benigno e incide mais em mandíbula. São lesões localizadas e tumores odontogênicos agressivos. Apresenta alto índice de recidiva. O cirurgião dentista tem um papel importante no diagnóstico dessas lesões por meio do uso da radiografia panorâmica, que é importante instrumento no diagnóstico diferencial. O aspecto radiográfico de favos de mel ou de bolhas de sabão é o principal indício de sua presença. A presença de reabsorções e deslocamentos dentários deve ser considerada também. O ameloblastoma unicístico pode ser confundido clinica e radiograficamente com cisto dentígero e este ocorre em jovens e, entre a segunda e terceira década de vida. Inúmeras alternativas de tratamento têm sido propostas na literatura e, destas, as técnicas de ressecção demonstram melhores resultados em relação ao índice de recidiva e sobrevida do paciente. Descritores: Ameloblastoma. Neoplasias Mandibulares. Neoplasias Maxilares. Procedimentos Cirúrgicos Reconstrutivos. Ameloblastoma is a painless odontogenic tumor of the jaws. It is benign and occurs more often in the mandible. They are localized and aggressive lesions. Clinicians have an important role in the diagnosis of such lesions, through the use of the panoramic X-rays, which is an important tool for their the differential diagnosis. The radiographic aspect of honey combs or soap bubbles under the panoramic X-rays is the main indication of its presence. The presence of reabsorption and dental displacement areas should also be considered in the differential diagnosis. The unicystic ameloblastoma can be misleading with dentigerous cyst, and it happens in youngsters, between second and third decade of life. Several treatment approaches have been proposed in the literature, and of those, the resective techniques described have been demonstrating better results in relation to the recurrence of the lesion and for the long-term results. Key words: Ameloblastoma. Mandibular Neoplasms. Maxillary Neoplasms. Reconstructive Surgical Procedures. INTRODUÇÃO O ameloblastoma é um tumor odontogênico da maxila e da mandíbula. Representa aproximadamente 1% de todos os tumores e cistos dos ossos faciais. Tem origem preferencialmente nas regiões molares e pré-molares. Caracteriza-se por crescimento lento e indolor e é frequentemente diagnosticado devido ao aumento de volume 1 local ou por meio de radiografia de rotina . O ameloblastoma é um tumor odontogênico benigno, derivado da lâmina basal, de alta taxa de recidiva e possui uma frequência de localização, na mandíbula, quatro vezes maior 2 do que na maxila . Embora benignos, são lesões localizadas e tumores odontogênicos agressivos. Sua presença associada com radiolucidez pericoronal em terceiros molares impactados é bem documentada, embora rara. Logo, a apresentação associada à radiolucidez pericoronal em dentes impactados 3 pode confundir o dentista clínico . REVISÃO DA LITERATURA E DISCUSSÃO Inúmeras técnicas têm sido propostas na literatura para o tratamento de ameloblastomas em mandíbula. A reabilitação de paciente submetido à ressecção segmentar de mandíbula para tratamento de ameloblastoma com o uso de enxerto autógeno de ilíaco e implantes mediatos tem sido 4 proposta . Após a ressecção do tumor, enxerto autógeno de ilíaco foi colocado na mandíbula para posterior (um ano e seis meses) colocação de implantes endósseos. A técnica de distração óssea também foi proposta a fim de promover a osteogênese após a ressecção de ameloblastoma em mandíbula e posterior colocação de implantes endósseos. A distração foi realizada em dois estágios devido à curvatura mandibular. Após dez meses da primeira cirurgia de distração, uma segunda cirurgia de distração foi realizada e, três meses depois de consolidado o osso, sete implantes endósseos foram instalados na mandíbula. Três meses após a instalação desses implantes, as próteses implanto-suportadas foram instaladas. Três anos após sua instalação, as próteses estavam estáveis e não apresentavam sinais clínicos nem radiográficos de perda 5 óssea em torno dos implantes . Em outro trabalho envolvendo a reabilitação após ressecção de tumor em mandíbula de crianças e adolescentes, após a ressecção do tumor, em um segundo momento cirúrgico, a reconstrução foi realizada com o uso de enxerto de ilíaco. Vinte Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v. 38, nº 2, p. 124 - 128, abril / maio / junho 2009 124