OS TERREIROS E O TORÉ – KELLY EMANUELLY DE OLIVEIRA Cadernos do LEME, Campina Grande, vol. 1, nº 1, p. 47 – 66. jan./ jun. 2009. 47 OS TERREIROS E O TORÉ: O DIÁLOGO ENTRE RELIGIÃO E POLÍTICA NO FORTALECIMENTO DO POVO XUKURU DO ORORUBÁ (PE) Kelly Emanuelly de Oliveira * O estabelecimento de sinais diacríticos como elemento de fortalecimento de uma identidade étnica e garantia de direitos sociais vem sendo objeto de pesquisas na antropologia desde o início do século XX. Desenvolvida pelo antropólogo Fredrik Barth, a noção de grupo étnico como uma forma de organização social ganhou importância substancial nesses estudos. Barth definiu que são os atores sociais que selecionam quais sinais diacríticos e quais padrões de moralidade serão relevantes para o grupo, sem que seja possível prever, objetivamente, quais valores serão preponderantes para a formação da identidade étnica (Barth 2004). Assim, sejam quais forem os valores sociais escolhidos coletivamente, a importância recairia na questão de que essas características seriam utilizadas na manutenção de uma fronteira. O antropólogo João Pacheco de Oliveira atenta, no entanto, que esses sinais diacríticos têm uma relação direta não só com escolhas internas ao grupo, mas são definidos diante de um tempo histórico e espaço geográfico específicos. Segundo Oliveira, a dimensão chave para a compreensão de como os povos indígenas se incorporam dentro do estado-nação é a territorial. Seria a partir da imputação de uma base territorial fixa para um grupo que teríamos o ponto de partida para compreendermos as mudanças passadas pelo povo, que afetariam tanto o funcionamento das instituições da sociedade étnica, quanto à significação de suas manifestações culturais. Nesse sentido, a noção de territorialização é definida como um processo de reorganização social que implica: i) a criação de uma nova unidade sociocultural