Formação de Equipa para Combate a Incêndio Urbano Paulo Araújo 1 , Paulo Trigo 2 , Ana Respício 3 , Carlos Lopes 4 1 paraujo@isel.ipl.pt 2 ptrigo@isel.ipl.pt Instituto Superior Engenharia Lisboa R. Conselheiro Emídio Navarro, 1, 1949-014 Lisboa Telefone: +351.218.317.180, Fax: +351.218.317.114 3 respicio@di.fc.ul.pt Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências FCUL, Dep. Informática, C6, 1749 - 016 Lisboa Telefone: +351.217.500.522, Fax: +351. 217.500.084 4 carloslopes@portugalmail.pt Universidade Católica Portuguesa Universidade Católica Portuguesa Palma de Cima, 1649-023 Lisboa Telefone: +351. 217.214.066, Fax: +351. 217.215.188 Neste artigo descreve-se uma abordagem para dimensionar uma equipa de bombeiros para combate a incêndio urbano em ambiente de simulação. A simulação foi realizada no ambiente RoboCupRescue que combina, num mesmo espaço geográfico (e.g. cidade), a evolução de uma catástrofe (e.g. incêndio urbano) e a actuação dos meios (humanos) que visam mitigar os efeitos dessa catástrofe. A abordagem seguida permite determinar o número mínimo de elementos a constituir numa equipa de bombeiros para extinguir um determinado incêndio. Utilizou-se um processo de exploração de conhecimento a partir de um conjunto de treino para construir uma árvore de decisão, recorrendo ao algoritmo de classificação ID3. O conjunto de treino foi obtido a partir da simulação de diferentes situações de incêndio usando o espaço geográfico (mapa) da cidade japonesa de Kobe. São analisados os resultados da avaliação das regras geradas e apresentam-se algumas conclusões sobre os factores que influenciam o critério de formação das equipas. 1. Introdução Uma catástrofe, de origem natural ou tecnológica (e.g. sismo, ou incidente terrorista), produz num curto espaço de tempo alterações profundas no meio ambiente podendo colocar em perigo a existência dos agentes afectados por essas alterações [1]. Os efeitos de uma catástrofe natural, como são exemplo os terramotos, dependem de uma grande diversidade de factores. Estes factores classificam-se em: a) intrínsecos – associados às características naturais dos fenómenos de catástrofe como são exemplo, no caso dos terramotos, a sua magnitude, o tipo de terramoto e a localização, b) geológicos – relacionados com as condições onde os efeitos da catástrofe são sentidos, tais como a distância ao local do evento ou a saturação da água dos solos, e c) sociais – relacionados com as condições de reacção ao fenómeno, por exemplo, a qualidade de construção, preparação da população e hora do dia em que o fenómeno ocorre. Em 17 de Janeiro de 1995 ocorreu, na ilha de Honshu, um terramoto que teve a duração de 20 segundos e que causou mais de 5000 vítimas humanas, a maior parte na cidade de Kobe, um dos principais portos do Japão. As consequências da catástrofe que ocorreu na cidade de Kobe deveram-se a coincidências de simples factores sociais e sismológicos. A cidade de Kobe está localizada sobre a intersecção de 3 placas tectónicas. O terramoto ocorreu às 5h46m da madrugada pelo que a maioria dos cidadãos se encontrava a dormir. O epicentro do terramoto foi localizado a 20km da zona central da cidade de Kobe. Neste tipo de fenómeno, quando a terra estremece, os canos e cabos mais rígidos quebram por não terem flexibilidade. Os edifícios são servidos, por uma rede de canos e cabos, de água, electricidade, gás e telecomunicações. Os edifícios, por efeito dos movimentos do terramoto, ficam sujeitos à ruptura no fornecimento desses serviços (água, gás, electricidade e comunicação). Estas rupturas, em especial nas estruturas de gás e de electricidade, passam a contribuir para o surgimento e propagação de