11 Manuel Pinto & Joaquim Fidalgo (coord.) Anuário 2006 – A comunicação e os media em análise Projecto Mediascópio Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade Instituto de Ciências Sociais Universidade do Minho ISBN: 978-989-95500-0-1 O fenómeno das novelas juvenis – o caso ‘Floribella’ Sara Pereira (spereira@iec.uminho.pt) A programação da televisão generalista portuguesa ficou significativamente marcada, em 2006, pela estreia da novela juvenil ‘Floribella’ 1 , em Março desse ano, na SIC. Esta novela veio concorrer com ‘Morangos com Açúcar’, uma outra novela para o público jovem em exibição na TVI desde 2003. Esta novela revelou-se um fenómeno televisivo, não só em termos de audiências mas também pela forma como influenciou a construção do ‘discurso’ da SIC. ‘Floribella’ não foi apenas mais um programa a integrar a grelha, acabou por ser um programa estruturante para a estação, o motor de toda sua a programação e a alavanca das audiências. A imprensa escrita dedicou várias páginas às novelas juvenis, um género emergente em Portugal, com particular destaque para a ‘Floribella’ e os produtos e eventos promovidos a partir da mesma, e também para a novela concorrente ‘Morangos com Açúcar’. Estes dois programas converteram-se num referente claro da programação infantil e juvenil, acabando mesmo por ofuscar os outros programas dedicados ao público mais novo. Estes só muito raramente foram objecto de notícia e de discussão e nunca foram matéria de destaque. Embora as novelas juvenis (soap for teenagers ou teen soap, em língua inglesa) tenham assumido nos ecrãs um lugar de destaque, sobretudo nestes últimos 1 ‘Floribella’ é uma telenovela exibida na SIC, adaptada de um formato Argentino chamado ‘Floricienta’, escrito por Cris Morena e produzido pela RGB. Cris Morena refere que teve como principal objectivo elaborar uma história que resultasse com qualquer público e que se pudesse arquivar na categoria de entretenimento familiar. A novela foi exibida em vários países (Argentina, Portugal, Brasil, México, Chile, Colômbia e Israel [dobrada], entre outros). Em Portugal a novela é produzida por Teresa Guilherme, realizada por Atílio Riccó e Rodrigo Riccó e protagonizada por Luciana Abreu e Diogo Amaral.