228 SIGNUM: Estud. Ling., Londrina, n. 20/2, p. 228-245, ago. 2017 Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust Não É Um Romance: determinismo e imprevisibilidade nos cadernos de rascunho IN SEARCH OF LOST TIME IS NOT A ROMANCE: DETERMINISM AND IMPREVISIBILTY IN PROUST’ S MANUSCRIPTS Philippe Willemart* Resumo: Este artigo quer tornar visível a relação entre o estudo da gênese dos textos e a teoria do caos determinístico na obra Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. Ele mostra que o sentido que se desprende dos estudos sobre o manuscrito, depende da montagem da nova forma do romance esticada entre o romance e o ensaio. A primeira parte sublinha como o ensaio-romance, iniciado ao redor de 1908-1909, com alguns cadernos sem ligação aparente entre si, que serão repartidos desde 1910 em dois lados, o de Swann e o de Guermantes e que convergiram no Tempo Redescoberto, chegaram após a guerra 14-18 à última versão impressa em 7 volumes, totalmente imprevisível no início. A segunda parte destaca trechos que comprovam a tese da mudança de formas a partir da leitura da citação do Tempo redescoberto: “uma hora não é apenas uma hora, é um vaso repleto de perfumes, de sons, de projetos e de climas. O que chamamos realidade é uma determinada relação entre sensações e lembranças a nos envolverem simultaneamente - relação única que o escritor precisa encontrar a fim de unir para sempre em sua frase os dois termos diferentes”. Palavras-chave: Proust. Crítica genética. Sentido ou forma. * Doutor em letras (língua e literatura francesa) pela Universidade de São Paulo (1976). É professor titular em literatura francesa da Universidade de São Paulo - USP e coordenador do Laboratório do Manuscrito Literário da Universidade de São Paulo. Contato: plmgwill@gmail.com. DOI: 10.5433/2237-4876.201v20n2p228