999 IDENTIFICAÇÃO DE PADRÕES DE POSICIONAMENTO DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO DOS PEDESTRES Marcos Thadeu Q. Magalhães Mariana França Rios Yaeko Yamashita Mestrado em Transportes Universidade de Brasília RESUMO A integração do pedestre como elemento de destaque no planejamento urbano e de transportes tem ganho expressividade na prática corrente. Historicamente, as soluções de transportes orientadas ao pedestre têm falhado sistematicamente dado à incapacidade dos métodos tradicionais de análise do comportamento dos pedestres em considerar este processo em sua complexidade. A partir da definição de um conceito inclusivo de pedestres, da incorporação de princípios do comportamento ambiental e da teoria comportamental, identificam-se as diversas dimensões do andar e tendências no comportamento dos pedestres e fatores capazes de alterá-las. Por fim, constrói-se um modelo do processo de comportamento dos pedestres e sistematiza-se 5 padrões: Deslocamento Ponto-a-Ponto; Introspecção; Convivência; Condicionamento Físico e Reconhecimento. ABSTRACT The integration of the pedestrian as a core element on the urban and city planning process has become a common ground in current practices. Historically, pedestrian-oriented transport solutions have failed due to incapacities of traditional methods in considering the complexity of pedestrian behavior. Based on a broad and inclusive pedestrian concept and principles of Environmental Behavior and Process, the dimensions of Walking, general tendencies in pedestrian behavior and change driving forces are identified. Finally, a pedestrian behavior model is built and 5 patterns are identified: Point-to-Point Movement; Introspection; Socialize; Exercise and (Re)Cognition. 1. INTRODUÇÃO A mobilidade urbana, sustentabilidade do transporte e a qualidade ambiental nos centros urbanos são preocupações presentes e que sempre retomam a questão do pedestre e do transporte coletivo urbano, em detrimento do transporte particular. A integração do pedestre, transporte coletivo eficiente e medidas de restrição ao uso de automóveis em concepções de projetos urbanos e de desenho urbano têm tido grande impacto (positivo) no desenvolvimento dos centros urbanos afetados por estes projetos (Monhein, 2001). Os espaços urbanos, partes do ambiente construído, são essencialmente espaços complexos. São palco do desenvolvimento da vida urbana em suas diversas dimensões: social, econômica, cultural e privada. São resultantes e determinantes de diversos processos da vida urbana, em que o homem transforma seu ambiente e é por ele transformado. E sobre este mesmo espaço é que se desenvolvem os deslocamentos humanos. O objeto das intervenções de transportes, segundo Vasconcellos (2001), é o ambiente de circulação, fusão do ambiente construído e os sistemas de circulação. Numa cidade, este ambiente construído é o mesmo espaço urbano sobre o qual as diversas pessoas desenvolvem suas atividades cotidianas, quer trabalho, lazer ou descanso. E é na condição de pedestres que as relações com o ambiente se desenvolvem de forma mais intensa. A inclusão das operações dos pedestres como componente na análise dos sistemas de transportes tem sido apontada por diversos usuários do HCM – Highway Capacity Manual (EBTU, 1984). As intervenções de transporte relacionadas à estrutura de circulação para pedestres como a definição de calçadas, passarelas, faixas de pedestres e tempos de semáforo, em geral se