ARTE, DESIGN, CIÊNCIA E TECNOLOGIA: INDAGAÇÕES E EXPECTATIVAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DA INTERATIVIDADE EM PROL DA CONSCIENTIZAÇÃO ECOLÓGICA 1 PANTALEÃO, Lucas Farinelli 2 PINHEIRO, Olympio José 3 RESUMO: Propõe-se uma reflexão sobre os efeitos positivos e negativos da influência da tecnologia no cérebro e suas respectivas possibilidades de intervenção psicosensorial através da interatividade. Focalizando, neste contexto, contribuições na inter-relação entre arte, design, ciência e tecnologia, pretende-se fomentar a discussão sobre como a hiper-realidade criada através da ciberpercepção imersiva (Ascott) pode levar a (auto)reflexão e consequentemente ao autoconhecimento. Parte-se da hipótese que práticas desta natureza corroboram para impulsionar a conscientização ecológica, visto que promovem a saúde física e mental do usuário/fruidor através do fortalecimento de nuances emocionais, perceptivos e de interação social. Palavras-chave: Arte/Design; Interatividade; Ciberpercepção; Autoconhecimento; Consciência Ecológica. Premissas: arte, design, ciberpercepção e interatividade As correlações entre arte, design, ciência e tecnologia envolvem significativos questionamentos recorrentes na contemporaneidade. A aceleração das descobertas científicas impulsionadas pelo avanço tecnológico é responsável por instaurar uma verdadeira revolução antropológica da percepção. As artes, movidas por novos suportes e recursos técnicos de alta complexidade, evidenciam sua fundamental importância investigativa enquanto mediadora das relações entre os sentidos e a matéria, entre o corpo e a mente. As correspondências entre arte, design e tecnologia aceleram-se em caráter progressivo segundo o avanço das novas configurações computacionais. Neste processo, artistas e designers não se limitam a utilizar a tecnologia apenas para produzir novas mimeses do real, mas a utilizam como meio para a criação de novas referências para aquilo que podemos chamar de realidade. Esse fenômeno pode ser entendido como uma crise em relação à estabilidade e à compreensão dos limites corporais mediante tantas inquietações provocadas devido à exploração das tecnologias e dos processos perceptivos emergentes nas interfaces homem/máquina. O que coloca em questão a tradicional convenção da ciência moderna em relação aos padrões identificáveis da subjetividade. 1 Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) sob processo n.º 2014/01356-6 que nos financia a pesquisa de onde resultou este artigo. As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem a visão da FAPESP. 2 Doutorando em Design; Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação, FAAC/UNESP - E-mail: lucasfarinelli@gmail.com; tel. (17) 98140-9338 3 Prof. Doutor, Docente do Programa de Pós-Graduação em Design, FAAC/UNESP - E-mail: holihn@uol.com.br; tel . (14) 9975-3535