Revista Brasileira de Geografia Física v.08, n.03, (2015) 857-866. 857 Goulart, A. A.; Passos, E.; Nucci, J. C. ISSN:1984-2295 Revista Brasileira de Geografia Física Homepage: www.ufpe.br/rbgfe Fragmentação da vegetação de Cerrado, entre os Anos de 1984 e 2011 no Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva-PR) e em sua Zona de Amortecimento Adriano Ávila Goulart¹, Everton Passos², João Carlos Nucci³ 1 Geografo (UNESP – Campus de Ourinhos), mestre em Geografia (PPGG-UFPR), Universidade Federal do Paraná – UFPR, Av. Cel. Francisco H. dos Santos, s/n, 81530-900 – Curitiba, PR, Brasil, adriano.goulart@ufpr.br; 2 Geógrafo (UFPR), doutor em Engenharia Florestal (PPGF-UFPR) e professor do Departamento de Geografia, Universidade Federal do Paraná – UFPR, Av. Cel. Francisco H. dos Santos, s/n, 81530-900 – Curitiba, PR, Brasil, everton@ufpr.br; 3 Biólogo (IB-USP), doutor em Geografia Física (DG-FFLCH-USP) e professor do Departamento de Geografia, Universidade Federal do Paraná – UFPR, Av. Cel. Francisco H. dos Santos, s/n, 81530-900 – Curitiba, PR, Brasil, nucci@ufpr.br Artigo recebido em 16/07/2014 e aceito em 28/12/2015 R E S U M O O Cerrado, formação vegetal que já ocupou cerca de 24% de todo o território brasileiro, atualmente se encontra em um contexto de grande fragmentação. Esta situação não é exclusiva da região próxima à sua área nuclear, onde a vegetação nativa foi substituída por atividades agropecuárias, mas pode-se evidenciar um acentuado grau de fragmentação também nos seus ecótones com outras relevantes formações vegetais, comprometendo as funções ecológicas que mantêm o seu equilíbrio natural. É exatamente em uma dessas faixas de transição que este trabalho foca suas análises, através do objetivo de estudar a dinâmica espacial da fragmentação da vegetação de Cerrado, entre os anos de 1984 até 2011 no Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva/PR) e em sua Zona de Amortecimento. Para realizar a análise foram utilizadas 28 imagens Landsat TM 5, nestas foram identificados os fragmentos de Cerrado presentes na Zona de Amortecimento do parque e posteriormente, através da operação algébrica de adição das imagens foram gerados 28 cartogramas (ano X ano). A quantificação dos pixeis de interseção entre as datas analisadas revelou uma grande instabilidade entre os fragmentos, principalmente no período pós 1999, o que demonstra um cenário propício para o decaimento de ecossistemas. A função ecológica dessa Unidade de Conservação, caso este quadro de fragmentação perdure, torna-se cada vez mais questionável. Palavras-chave: Fragmentação, Cerrado, Biogeografia, Sensoriamento Remoto, Parque Estadual do Cerrado. Fragmentation of Cerrado Vegetation, from the Year 1984 to 2011, in Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva-PR) and its Buffer Zone ABSTRACT The Cerrado, a vegetation formation that had already occupied about 24% of the Brazilian territory, is currently in a context of fragmentation. This situation is not unique to the area near to its nuclear region, where native vegetation has been replaced by agricultural activities, but one can point a high degree of fragmentation in also their boundaries with other relevant plant formations, compromising the ecological functions that maintain its natural balance. It is exactly in one of those boundaries that this study focuses its analysis, with the objective of studying the spacial dynamics of fragmentation of Cerrado vegetation, from the years 1984 to 2011 in the Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva / PR) and its Buffer Zone. To perform the analysis, it was used 28 Landsat TM 5, in these images Cerrado fragments were identified in the Buffer Zone of the park and later, by adding the rasters, it generated 28 cartograms (year X year). The quantification of intersection pixels on the dates analyzed showed great instability between fragments, especially after 1999, demonstrating a favorable scenario for the decay of ecosystems. The ecological function of this protected area, in case of continuous fragmentation, becomes increasingly questionable. Keywords: Fragmentation, Cerrado, Biogeography, Remote Sensing, Parque Estadual do Cerrado. * E-mail para correspondência: adriano.goulart@ufpr.br (Goulart, A. A.).