CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 4., 2007, São Carlos. Anais de Eventos da UFSCar, v. 3, p. 1214, 2007 PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA A TRANSIÇÃO AGROECOLOGICA: ESTUDO DE CASO DA UNIÁGUA / JACUTINGA - MG Canholi, P. F. 1 ; Almeida, G. F. 1 ; Ferraz, J.M.G. 2 patriciacanholi@gmail.com 1 Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural, Centro de Ciências Agrárias - Universidade Federal de São Carlos; 2 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - CNPMA, Jaguariúna - SP O objetivo deste artigo é analisar as contribuições da “Pedagogia da Alternância” (Freire) no processo de transição agroecológica dos agricultores familiares de Jacutinga-MG. Esta vertente de pesquisa procura adotar esta prática pedagógica como referencial de apoio à compreensão dos princípios agroecológicos envolvidos nas etapas de transição. A existência de pedagogias alternativas no universo rural justifica os estudos de avaliação do papel das mesmas na construção de importantes elementos da qualidade de vida das populações rurais. Trata-se de um instrumento a serviço dos objetivos perseguidos por outras ações, que buscam o desenvolvimento local nos setores da organização comunitária, valorização do saber rural, saúde, produção, beneficiamento e comercialização agropecuária. Além de tais aspectos, ressalte-se o caráter transformador da construção participativa do conhecimento, não se atendo apenas ao desenvolvimento técnico-produtivo de seus agentes, mas aprofundando a reflexão crítica sobre seu papel no planejamento e na determinação de suas prioridades. Desta forma, consolida-se neste espaço um caminho pedagógico que almeja garantir ao educando a participação como agente de sua história, tanto dentro dos processos produtivos como na elaboração de propostas de desenvolvimento sustentável de sua comunidade. A Pedagogia da Alternância institui a fusão essencial entre família e escola, e onde o conhecimento emerge, se amplia e se consolida, facilitando ao indivíduo alternar e valorizar aquilo que faz e sabe. É na vinculação do conhecimento escolar com a ambiência familiar que o mesmo reflete sobre seu meio e elabora seus marcos de referência. Em resumo, esta teoria Freiriana. propõe compreender a educação, seja ela rural ou urbana, como sustentáculo de uma ação transformadora . Direcionando os argumentos para uma prática educacional transformadora, torna- se imperativo citar Freire (1981), quando insiste em uma educação com a autocrítica necessária para inclusive, alterá-la se preciso. Destaca-se também que a Pedagogia da Alternância institui um relacionamento entre o meio em que se vive e as atividades educativas, considerando o saber tradicional como princípio norteador do processo de associação dos conhecimentos técnico-científicos, não constituindo instâncias antagônicas ou excludentes, família e escola reinterpretam-se mutuamente na diversidade do conjunto das circunstâncias e nos interesses dos agentes sociais envolvidos. Com o conhecimento científico incorporado ao seu saber já construído, o educando reinterpreta sua realidade e elabora novas interrogações que, posteriormente, estarão sendo debatidas com o coletivo da escola, ou a cada nova “sessão”, e neste caso a cada encontro de produtores. O processo de alternância se desenvolve em dois momentos. Em um primeiro momento o (a) aluno (a) ou produtor (a) participa de um debate teórico e conceitual acerca dos assuntos de interesse e depois, em um segundo momento, desenvolve a experimentação prática, em casa junto à sua família. Estabelece-se, assim, uma prática de liberdade de se conhecer, de preservar seus valores culturais e do seu saber, que se consolida, pois, “quanto mais se problematizam os educandos, como seres do mundo e com o mundo tanto mais se sentirão desafiados. Tão mais desafiados, quanto mais obrigados a responder ao desafio. Desafiados, compreendem o desafio na própria ação de captá-lo” (Freire, 1979:80). No intuito de analisar as contribuições da Pedagogia da Alternância no processo de transição agroecológica do Sítio Três Barras em Jacutinga-MG, foi elaborado inicialmente um