27 Agriculturas • v. 7 - n. 3 • outubro de 2010 A gestão social da água no Sudoeste do Paraná Miguel Ângelo Perondi e Norma Kiyota N o Sul do Brasil, principalmente no meio rural, sempre existiu a ideia de que a água seria um recurso ilimitado, reabastecido por chuvas regulares e abundantes. Entretanto, com a diminuição da área de floresta, a intensificação da produção agropecuária e a perfuração exacerbada de poços artesianos, a falta de água para a agricultura tem se tornado um fenômeno cada vez mais comum. Nas estiagens de 2004 e 2005, houve a necessidade do uso de caminhões-pipa para o abastecimento de água dos estabelecimentos com criações de aves e gado leiteiro. Após as estiagens, ocorreu o aumento da demanda pela perfuração de poços artesianos que, em muitos casos, foi atendida com o apoio clientelístico de algumas prefeituras. Medida que serviu de solução para alguns, mas aprofundou o problema de um número maior de famílias rurais que contavam com as fontes de água superficial. Na região Sudoeste do Paraná, a precipitação média não se alterou signifi- cativamente nos últimos anos (IAPAR, 2007), mas o consumo de água aumentou bastante. Entre 1996 e 2006, a produção de leite cresceu 132%, a de aves, 243%, e a de ovos, 429% (IBGE, 2009). Percebe-se, portanto, que a crise de abastecimento de água nos estabelecimentos da re- gião está associada principalmente ao aumento da demanda de água e da de- gradação ambiental. A proteção de fontes sob a percepção dos agricultores O Projeto Água e Qualidade de Vida, conduzido no Sudoeste do Para- ná pela Associação do Centro de Edu- cação Sindical (Acesi), com o apoio da Petrobras, conseguiu preservar, entre 2006 e 2009, um total de 2.210 fontes de água, beneficiando mais de quatro mil famílias ou cerca de 16 mil pessoas (ACESI, 2009). Fonte d’água protegida Fotos: o autores