Revista Mundos do Trabalho | vol. 5 | n. 10 | julho-dezembro de 2013| p. 255-259 Um anarquismo extraordinário: a luta dos libertários no Uruguai dos anos de 1950 à Ditadura Militar e suas raízes históricas Edilene Toledo RUGAI, Ricardo Ramos. Um partido anarquista: o anarquismo uruguaio e a trajetó- ria da FAU. São Paulo: Ascaso, 2012, 313 p. Palavras-chave: Anarquismo ― Ditadura Militar ― Uruguai. Keywords: Anarchism ― Military Dictatorship ― Brazil. O livro de Ricardo Rugai, resultante de vasta pesquisa em fontes e bibliogra- fas, traz ao público brasileiro a extraordinária trajetória da FAU, a Federação Anar- quista Uruguaia, organização que se autodenominava um partido anarquista, foi formada na década de 1950 e que, como nos mostra o autor, teve um papel impor- tante nas lutas sociais desse país, reunindo os setores de esquerda mais combati- vos, tanto no âmbito político mais amplo quanto no sindical. A FAU criou também a OPR-33, uma organização armada que empreendeu muitas ações ― algumas es- petaculares ― contra a ditadura militar que se implantou no país a partir de 1973. Dezenas desses militantes anarquistas foram presos, torturados ou mortos pela Ditadura. Nos anos de 1970, a FAU teve também células em Buenos Aires, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. No Uruguai, assim como no Brasil e na Argentina, o movimento anarquista tinha uma longa história e teve uma presença consolidada e enraizada, e às vezes preponderante, dentro do associativismo operário. Grupos, militantes, jornais e sindicatos ligados ao mundo libertário viveram várias fases. De uma presença es- porádica no início dos anos de 1890, o anarquismo se transformou gradualmente num forte catalisador dos processos de organização dos trabalhadores urbanos, sendo a primeira década do século XX o ponto alto dessa primazia anarquista nos movimentos operários desses países. A Federación Obrera Regional Uruguaya, fun- dada em 1905, assim como a federação argentina nessas décadas, tiveram uma ca- racterização anarquista explícita. 1 Nos anos de 1910, os anarquistas conviveram com o protagonismo do sindicalismo revolucionário, mais pragmático, que eles mesmos tinham ajudado a criar, desde 1904-05. Nos anos de 1920, o movimento anarquista * Professora de História do Brasil do Departamento de História da Universidade Federal de São Paulo. 1 Ver: CAPPELLETTI, Angel J. El anarquismo en America Latina. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1990. http://dx.doi.org/10.5007/1984-9222.2013v5n10p255