Surrealismo e Revolução Marta Dantas Universidade Estadual de Londrina Londriana/PR marta_dantas@hotmail.com Resumo: Este artigo tem como propósito analisar a relação entre Surrealismo e Revolução. O ponto de partida é o Primeiro e o Segundo Manifesto do Surrealismo, perpassando os momentos de aproximação e recuo dos surrealistas com o Partido Comunista Francês; sua relação conflituosa com a militância política; o encontro entre Breton e Trotski e o esclarecimento do estatuto da arte revolucionária; a formação das raízes surrealistas de tendência genuinamente libertária mas que não implicou na adesão total ao anarquismo e, por fim, o papel da arte e da literatura, no Surrealismo, para a libertação do homem e para revolução social. Palavras-chave: surrealismo; literatura; arte; revolução Abstract: The present article has the purpose of analyze the relation between Surrealism and Revolution, starting with the First and Second Surrealism’s Manifest, going by the moments of approximation and retreat from the surrealists to the French Communist Party; its conflicting relation with politic militancy; the meet between Breton and Trotski and the explanation of the statute of revolutionary art; the formation of its anarchy’s trend roots – and, at last, the art’s and literature’s part for the men’s freedom and social revolution. Key-words: surrealism; literature; art; revolution O Surrealismo foi um movimento de vanguarda que não se limitou a ser somente artístico e literário. Diante de uma sociedade dilacerada pela Primeira Guerra Mundial, pensar sobre a condição do homem e seu destino era mais urgente do que fazer arte e escrever versos. Este movimento nasceu da aguda consciência da cisão entre arte e vida, realidade e imaginação, mundo exterior e interior e buscava encontrar um ponto em que estas antinomias deixassem de ser percebidas como contradições, pois pensavam que esta era a condição sine qua non para a liberdade. A fundação oficial do grupo surrealista 1 data de 1924, com o lançamento do Primeiro Manifesto do Surrealismo. Mas a organização deste movimento começa em 1919, com a publicação, na revista Littérature, dos primeiros capítulos de Campos Magnéticos, de autoria de André Breton e Philippe Soupault, primeira experiência surrealista com a escrita automática. O Surrealismo nasce com a marca de um inconformismo tão “absoluto que não seria possível ocorrer a alguém citá-lo, no processo contra o mundo real, como testemunha da defesa” (BRETON, 2008, p.56). Sua revolta é moral, ética e social. 1 André Breton, Aragon, Paul Eluard, Benjamin Péret, Philippe Soupault, René Crevel, Robert Desnos, Picabia, Max Ernest, Roger Vitrac, Jean Paulhan, Georges Limbour, André Masson, Antonin Artaud, Man Ray, Max Morise, Pierre Naville, Marcel Noll, Máxime Alexander, entre outros.