Catarina G. Falci - graduanda em Ciências Sociais pela UFMG catarinafalci@yahoo.com.br Juliana de R. Machado - graduanda em Ciências Sociais pela UFMG ju.drmachado@hotmail.com BIBLIOGRAFIA: - Carvalho, A. & Jácome. C. 2005 Os gestos na decoração plástica de vasillhas Tupiguarani . In Anais do XIII Congresso da SAB, CD. Campo Grande, MS. - Dantas, V.J. & Lima, T. A. 2006. Pausa para um banquete Análise de marcas de uso em vasilhames cerâmicos pré-históricos do Sítio Justino, Canindé do São Francisco, Sergipe. Museu de Arqueologia do Xingó, Sergipe. - Huysecom, É. 1994. Identification technique des céramiques africaines. In Terre cuite et société: La céramique, document technique, économique, culturel. XIVe Rencontres Internationales d’Archéologie et d’Histoire d’Antibes. Éditions APDCA, Jusn-Ies-Pins, p. 31-44. - Oliveira, L. 1999. A produção cerâmica como reafirmação de identidade étnica Maxakali: um estudo etnográfico. (dissertação) MAE-USP, São Paulo. - Panachuk, L. 2007. Tupinambá e Guarani: reflexões sobre a produção técnica-gestual da decoração pictórica na olaria e algumas palavras. XIV Congresso da SAB, CD. Florianópolis, SC. - Roux, V. 1994. La technique du tournage: definition et reconnaissance par les macrotraces. In Terre cuite et société: La céramique, document technique, économique, culturel. XIVe Rencontres Internationales d’Archéologie et d’Histoire d’Antibes. Éditions APDCA, Juan-Ies-Pins, p.45-58. -Silva, F. 2000. As tecnologias e seus significados: Um Estudo da Cerâmica dos Asuriní do Xingu e da Cestaria dos Kayapó-Xikrin sob uma Perspectiva Etnoarqueológica. (tese) Departamento de Antropologia-USP, São Paulo. AGRADECIMENTOS: À Vagna pelos ensinamentos do fazer cerâmico, e por fornecer a argila; ao nosso orientador André Prous pelas correções, conselhos e incentivo. Rachel Rocha , Tiago Moreira e Luís Bassi pelas dicas. As paredes das vasilhas cerâmicas comportam-se como palimpsestos, ao guardar vestígios de diferentes etapas de seu processo de manufatura e da sua utilização. É possível identificar a técnica (Huysecom, 1994; Roux, 1994), os gestos de decoração (Carvalho & Jácome, 2005; Panachuk, 2007) e a utilização (Dantas & Lima, 2006). Uma vez que a maioria dos instrumentos utilizados para a fabricação não se preservam através do tempo, pode-se tentar identificá-los também através de traços característicos sobrepostos nos vasilhames. Para testar nossa capacidade interpretativa de macro traços em cerâmicas arqueológicas, decidimos experimentar a fabricação de vasilhas, observando a seguir as marcas que nossa própria atuação produziu. Fabricamos algumas vasilhas com oleiras tradicionais de Santa Luzia-MG, aprendendo as técnicas básicas de fabricação de cerâmica “cabocla” desta região e interpretando os vestígios impressos. Verificou-se que, após a queima, permaneceram em todas as vasilhas, marcas características da maioria dos instrumentos empregados. Embora os instrumentos utilizados na fase final de polimento deixem marcas mais evidentes por toda a superfície, em alguns casos é possível notar os macro traços dos instrumentos anteriores, particularmente nas depressões de superfícies irregulares; também em concavidades que dificultam a penetração dos instrumentos usados no polimento; enfim, nas partes mais frágeis, onde a oleira não pressiona muito as paredes. Os instrumentos que deixam marcas muito profundas, como o sabugo de milho, marcas de dedos e unhas, permanecem visíveis após sua sobreposição. No caso dos dedos, é possível, ocasionalmente, ver as impressões digitais (dermatóglifos). Finalmente, foi possível reconhecer as marcas específicas de vários instrumentos; em compensação, não conseguimos diferenciar as estrias deixadas pelo alisamento com cabaça, cueté e com a mão. A seguir, fabricamos novas vasilhas utilizando outros instrumentos, que a bibliografia informa serem utilizados por grupos indígenas, para identificar também os respectivos vestígios deixados por cada um deles. Elegeu-se conjuntos de instrumentos empregados pelos Maxakali de Minas Gerais (Oliveira, 1999): as mãos (construção), sabugo de milho e cabaças (alisamento), concha de caramujo (polimento) - e pelos Assuriní do Xingu (Silva, 2000): dedos molhados na saliva, cueté (alisamento), seixo (polimento) e castanhas (suporte para secagem); no caso utilizamos cascas quebradas de jatobá. Pote Experimental 1: Pote Experimental 2: Superfície do pote polida com seixo. Superfície do pote polida com concha de caramujo (Megalobulimus). 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Legenda : 1. Marcas da cabaça na face interna, pote úmido; 2. Marcas da cabaça na face interna, após a queima; 3. Marcas do sabugo na face interna, após a queima; 4. Marcas do sabugo na face externa, pote úmido; 5. Marca do dedo face externa; momento de junção dos roletes; 6. Marca de dedos na face externa, após a queima; 7. Marcas do pano face interna, após queima; 8. Marcas do cueté face interna, após a queima; 9. Marcas das cascas de jatobá face externa, após a queima. Base moldada Paredes roletadas Acabamento final: polimento