Santos et al. Hepatectomia Parcial em Cirurgia Pediátrica 51 Vol. 30, Nº 1, Jan / Fev 2003 HEPATECTOMIA PARCIAL EM CIRURGIA PEDIÁTRICA PARTIAL HEPATECTOMY IN PEDIATRIC SURGERY Roberto Oliveira Cardoso dos Santos 1 Luis Donizeti da Silva Stracieri, TCBC 2 Yvone A. M. Villela de Andrade Vicente 3 José Janeiro Pato Garrido 4 Flávio de Oliveira Pileggi 1 Artigo Original Vol. 30, Nº 1: 51 - 58, Jan / Fev 2003 Rev. Col. Bras. Cir. RESUMO: Objetivo: Embora, atualmente, as indicações de hepatectomias em crianças sejam menos frequentes, em alguns casos elas constituem a melhor opção terapêutica. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de dez anos com grandes ressecções hepáticas em pacientes pediátricos. Método: Foram analisados os dados de doze pacientes submetidos a lobectomia hepática nos serviços de Cirurgia Pediátrica do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto (SP) de 1985 a 1995. Resultados: Foram realizadas oito lobectomias esquerdas e quatro lobectomias direitas. Dez crianças foram operadas por neoplasia e duas por complicações de traumatismo hepático. A idade das dez crianças portadoras de neoplasia variou de seis dias a dezesseis meses, sendo em média 3,8 meses. O diagnóstico histopatológico foi hemangioendotelioma em cinco (50%), hepatoadenoma em dois (20%), hepatoblastoma em dois (20%) e hepatocarcinoma em um (10%). O peso do tumor correspondeu em média a 7,1% do peso do paciente. A duração média da cirurgia foi de 2 horas e 58 minutos. O seguimento pós-operatório variou até 141 meses, sendo em média 76,5 meses. Sete pacientes receberam transfusão de sangue intra-operatória, correspondente a 23,3% de sua volemia, em média. Um deles apresentou recidiva de tumor, necessitando reoperação. Nenhum dos doze pacientes apresentou complicações pós-operatórias. Conclusão: A hepatectomia parcial é um procedimento difícil tecnicamente, que, no entanto, pode ser realizado com segurança, mesmo em hospitais que não disponham de recursos tecnológicos sofisticados, desde que o cirurgião esteja bem preparado para enfrentar suas dificuldades. Descritores: Hepatectomia; Tumores hepáticos; Crianças 1 Médico Assistente da disciplina de Cirurgia Pediátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP-RP 2 Médico Assistente da disciplina de Cirurgia de Urgência do Hospital das Clínicas da FMUSP-RP 3 Professora Doutora da disciplina de Cirurgia Pediátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP-RP 4 Médico do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Santa Lydia – RP Recebido em 30/10/2001 Aceito para publicação em 17/09/2002 Trabalho realizado nos serviços de Cirurgia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, e do Hospital Santa Lydia em Ribeirão Preto. INTRODUÇÃO As hepatectomias parciais são procedimentos cirúrgicos de grande porte, muitas vezes necessários para tratamento de neoplasias hepáticas benignas ou malignas, e que podem acarretar índices relativamente elevados de morbidade e mortalidade. Embora atualmente as indicações cirúrgicas de grandes ressecções hepáticas em crianças sejam menos freqüentes, em alguns casos elas ainda são a melhor opção terapêutica. O objetivo deste trabalho é relatar nossa experiência de dez anos com a hepatectomia em pacientes pediátricos e mostrar que é possível realizar uma lobectomia hepática com excelentes