Aletria, Belo Horizonte, v. 29, n. 1, p. 73-89, 2019 eISSN: 2317-2096 DOI: 10.17851/2317-2096.29.1.73-89 Tempo e drama: do presente absoluto à simultaneidade de temporalidades Time and Drama: From the Absolute Present Tense to the Simultaneity of Temporalities Rodrigo Alves do Nascimento Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo / Brasil professor.rodrigonascimento@gmail.com Bruno Barretto Gomide Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo / Brasil bgomide@usp.br Resumo: Na virada do século XIX para o século XX emergiu um tipo de dramaturgia na qual a experiência temporal dos personagens passava a ser elemento temático decisivo. Do mesmo modo, o próprio tempo se tornava um problema formal, visível e produtivo. Tal processo é patente nas peças de Ibsen, Maeterlinck e Strindberg, que romperam com a tradição neoclássica, então pautada por uma temporalidade discreta, quase invisível, em que o drama e a própria representação cênica se fechavam à experiência de um presente absoluto. Dentro desse impulso de renovação, as peças de Tchékhov – em especial As Três Irmãs – tiveram papel crucial. Como veremos, elas acomodaram na tessitura dramática uma simultaneidade de temporalidades, levaram o realismo ao seu limite e desestabilizaram a própria relação entre o tempo do texto e o tempo da cena. Palavras-chave: tempo; drama; Anton Tchékhov; As Três Irmãs. Abstract: At the turn of the twentieth century a new form of dramaturgy emerged in which the characters’ temporal experience became a decisive thematic element. Likewise, time itself became a formal problem that was both visible and productive. Such a process is evident in Ibsen’s, Maeterlinck’s and Strindberg’s plays, which led to decisive breakthroughs in the neoclassical theater tradition guided by a temporality