Realidade Virtual em Subvisão Cláudia Antunes Inês Lynce Dep. Engª. Informática, IST Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa Claudia.Antunes@rnl.ist.utl.pt ines@gia.ist.utl.pt João Madeiras Pereira João Pavão Martins Dep. Engª. Informática, IST Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa jap@minerva.inesc.pt jpm@gia.ist.utl.pt Sumário Neste artigo descrevemos um projecto desenvolvido no âmbito da Realidade Virtual que integra vários exercícios de reabilitação para crianças com Subvisão. As limitações a nível visual, já perto da cegueira, convertem as aplicações informáticas num particular foco de atracção para este tipo de doentes. Ainda que a situação seja irreversível, a conjugação de elementos criteriosamente escolhidos – forma, cor, textura, luminosidade - pode vir a estimular o uso da visão residual. A criação de cenas simples e complexas, juntamente com a exploração de diferentes movimentos para os objectos intervenientes, abrem caminho para um projecto que poderá vir a constituir uma poderosa ferramenta para auxílio do pessoal médico. Palavras-chave Realidade Virtual, Medicina, Subvisão, Reabilitação, Modelação, Animação, VRML, Metáfora. 1. A REALIDADE VIRTUAL E A MEDICINA Nos últimos anos têm surgido, no seio da comunidade científica, meios informáticos que auxiliam o pessoal médico no seu trabalho de diagnóstico e reabilitação. De facto, nas décadas mais recentes, muitos têm sido os progressos na colaboração entre os especialistas dos dois domínios. Com o advento da Realidade Virtual, aquela aliança fortaleceu-se significativamente, uma vez que esta foi encarada como um meio auxiliar do homem e como forma de estender as suas capacidades. Um dos campos em que existe grande interacção entre a Realidade Virtual e a Medicina é o campo da reabilitação. Estes sistemas têm normalmente um conjunto de características próprias, das quais se destacam o fornecimento de feedback imediato, a sua adaptação ao doente, a não interferência com qualquer outro domínio que não o que está a ser tratado, assim como o facto de serem normalmente mais atractivos e menos dolorosos que os métodos tradicionais. Para além disto, há ainda a destacar: o aumento da motivação dos doentes durante a reabilitação, a quantificação precisa dos resultados obtidos, a flexibilidade do sistema, com a criação de inúmeras variações, assim como a diminuição dos custos envolvidos. Os aspectos mencionados revelam-se como algumas das muitas vantagens da utilização da Realidade Virtual em vários campos, nomeadamente na Medicina. 2. ENQUADRAMENTO DA REABILITAÇÃO EM SUBVISÃO A Subvisão é uma perda parcial da visão. Traduz-se geralmente por uma diminuição da acuidade visual, mas pode igualmente manifestar-se numa perda da visão periférica, ou na extrema dificuldade perante a luz e a claridade, bem como na diferenciação da cor. Trata-se, no entanto, de uma situação diferente da cegueira: as pessoas com subvisão continuam a ter um certo grau de visão, que pode habitualmente ser desenvolvido com exercícios de reabilitação. As causas da subvisão variam de indivíduo para indivíduo, podendo ser congénitas, hereditárias ou adquiridas (como resultado de doença, de factores genéticos, envelhecimento, trauma ou acidente). Como principal causa encontra-se a Degenerescência Macular, uma doença da retina que danifica a visão central, e não afecta a periférica. A esta seguem-se a diabetes, o glaucoma, a degenerescência da retina hereditária e as cataratas. Os exercícios de reabilitação não afectam de modo algum o estado físico do olho: não melhoram nem pioram a doença. O objectivo destes exercícios é apenas que o doente aprenda a usar a sua visão residual tão efectiva e eficientemente quanto possível. Ao desenvolver o seu sistema visual ao potencial máximo, o doente recupera alguma da sua independência perdida. Enquanto não houver cura para esta situação, a reabilitação é a melhor